Dos joguinhos para a política: Eduardo Carvalho busca representar os esports no Congresso Nacional

Estamos próximos das eleições que decidirão o rumo do país para o ano que vem. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 147 milhões de brasileiros devem votar no dia 7 de outubro. Dentre esse público, o número de jovens equivale a 1.400.617, ou seja, 0,95% do eleitorado brasileiro.

Pode parecer uma parcela pequena, mas é o suficiente para decidir quem estará a frente do país em 2019. Dentre os candidatos a Deputado Federal, tem um que chama atenção pelo seu diferencial: a paixão pelos games e pelo esport.

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Coronel Carvalho – como se apresenta ao público por ser militar das Forças Armadas – trabalhou durante muito tempo com os esportes tradicionais, tendo migrado recentemente para o mercado de esportes eletrônicos. “Sempre gostei de esporte. Minha experiência advém de ter sido atleta com experiência internacional, preparador físico, treinador e gestor esportivo de equipe brasileira.  Devido essa paixão me especializei em gestão esportiva avançada pelo Comitê Olímpico Internacional e fiz um mestrado em educação física, além de outros cursos da área esportiva“, contou Eduardo ao Multiverso+

Ao término dos Jogos Olímpicos, abri uma empresa e comecei a trabalhar com atletas olímpicos, não olímpicos e pilotos na gestão de imagem e carreira. A entrada no esports começou por um desses atletas. No caso, um excelente piloto de 19 anos, campeão da F3 Academy Brasil em 2017, eleito o melhor piloto do Brasil na F3 pela revista Racing. O seu grande diferencial é que ele também era gamer, e um excelente piloto de esports“, completou. “Fizemos excelentes matérias que saíram no Jornal Nacional e no Esporte Espetacular. Essa união do esporte com o esports, mostrando que um atleta de alta performance da vida real também era um pro player que estava entre os melhores do mundo virtual, foi o motivo que me apaixonei e migrei para o esports“, finalizou.

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Equipe de gravação do Esporte Espetacular ao lado de Igor Fraga, que tentou o título Mundial de F1 Esports no ano passado. Hoje, ele atua pela Williams eSports (Foto: Reprodução)

Confira a matéria do Esporte Espetacular

A importância de um representante “e-sportivo” no Congresso Nacional

Dando continuidade a conversa, questionei de Eduardo: O que você acha que agregaria ao mercado ter uma bancada voltada para defender os direitos de jogadores profissionais e não profissionais? 

Diversos setores da sociedade têm representantes no Congresso Nacional que labutam por defender os interesses de seus setores. O setor de games e esports é ainda desconhecido por muitos políticos que elaboram e aprovam as leis que poderiam alavancar o mercado“, ele respondeu. 

O esporte é defendido por diversos representantes deste setor que já estão lá, por isso há leis de incentivo, plano nacional, projetos interministeriais, etc… que alavancam o mercado e não deixam que o esporte seja colocado em segundo plano. E no esporte eletrônico, quem está lá? Em um país com sérios problemas econômicos e sociais, crer que um projeto de lei no nosso setor seja colocado em votação, sem representantes, pode ser uma tarefa difícil frente a outros setores com representantes. Uma bancada representativa de Estados como SP, RJ, MG e das regiões sul e nordeste impulsionaria o setor, sem dúvida“.

A não limitação política

Eduardo nos contou que caso vença as eleições, não vai se limitar apenas a política. “Sou do esporte e gamer há muitos anos. Adoro simuladores de corrida e jogos FPS. Jogo quase todos os dias e participo de competições. Como empreendedor esportivo, estou adorando o crescimento do esports em todo mundo. Sim, penso em montar uma equipe de esports, agregando a experiência que tenho em gestão esportiva com gamers e investidores apaixonados“, disse.

O candidato também nos deu “spoilers” sobre como será o seu gabinete caso ele venha a ser eleito no próximo dia 7 de outubro. “Já adianto que, se estiver no Congresso, o meu gabinete será o primeiro a ser todo voltado aos gamers, das cadeiras aos PCs. Todo congressista seria convidado a ir lá para ter uma experiência e conhecer o setor“.

Antes de dar continuidade ao diálogo, o CEO da Behub Sports me mostrou alguns de seus “bens virtuais”: a sua skin como piloto no FIA Gran Turismo Championship Manufacturer Series – campeonato no qual ele garantiu a 1ª colocação no Rio e a 13ª no continente americano pela Ford – e o seu carro usado nas competições online no GT Sport.
 

A questão “Esports ≠ Esporte”

Na visão do Coronel, o que falta para os esports serem reconhecidos como esporte é decisão política. “O esporte tem diversas entidades internacionais, organizadas e maturadas há muitos anos. A decisão da inserção do eSports como uma modalidade esportiva dependerá dessas entidades. Diversas delas, como FIA, FIFA, NBA, MSL, NASCAR e outras já estão incluindo o eSports como modalidade competitiva em suas agendas. Isso pressiona o Comitê Olímpico Internacional. Ele ainda é o principal decisor, sua definição será um marco. O caminho para isso já está em curso. Questão de tempo e ajustes“, proferiu.

O mercado de games e esports no Brasil: presente e futuro

Não é mais novidade que o mercado de games e esports é bastante promissor no Brasil. Recentemente, o Rio de Janeiro abraçou a Game XP, o maior game park do mundo. Numa pesquisa divulgada pelo Ministério da Cultura, o evento gerou um impacto de R$53,9 milhões.

Durante a nossa conversa, Eduardo reforçou alguns números publicados pela “Newzoo” referentes ao “mercado gamer” brasileiro: “O Brasil é o 3º maior mercado do mundo em termos de entusiastas de esports. Já temos 13% da população brasileira assistindo conteúdo online de games. Até 2020 a previsão é que tenhamos mais de 30 milhões de brasileiros assistindo esports. A receita no setor, gerada na América latina tende a crescer 28% até 2021“.

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A Game XP 2018 foi sediada no Rio de Janeiro, no início de setembro. O Game Park foi abrigado no Parque Olímpico, que fica localizado no Rio de Janeiro. O evento reuniu mais de 100 mil apaixonados por games e esports (Foto: I Hate Flash)

O Coronel também falou sobre como os times de futebol e as empresas endêmicas e não endêmicas, estão investindo cada vez mais no seguimento, mas do seu ponto de vista, “ainda não estamos completamente preparados para explorar todo potencial do mercado no Brasil“.

No que se diz respeito ao futuro, Eduardo analisa o mercado de games e esports no Brasil “como uma curva exponencial em crescimento“, e finalizou com os seguintes dizeres:

O esporte eletrônico só tende a crescer, gerando muito emprego e renda para milhares de brasileiros, abrangendo gamers e todo ecossistema envolvido. É um futuro muito promissor, é um novo mercado de oportunidades, entretanto precisamos saber aproveitar o “boom” no Brasil. Empresas e governos de países mais adiantados neste setor já estão alavancando os negócios e possibilitando a criação de diversas novas profissões, aqui ainda precisamos saber como potencializar o mercado“.

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