Opinião: O preço da "experiência internacional"

Mais uma vez o Brasil foi motivo de chacota em uma competição internacional. A bola da vez foi a KaBuM, que mesmo após ter viajado um mês antes para a Coreia do Sul, conseguiu amargar a pior campanha brasileira no Campeonato Mundial de League of Legends.

Para muitos o resultado foi uma surpresa visto que, de uns tempos pra cá, o elenco laranja tinha se mostrado um dos mais sólidos do Brasil, tendo conquistado os dois splits do CBLoL, e o Rift Rivals 2018, junto a Keyd Stars.

Sempre que o Brasil perde lá fora começam os discursos sobre quais são os problemas do cenário brasileiro de League of Legends. Uns apontam para a localização da nossa região, alegando que a mesma nos impede de treinar com times de regiões mais fortes. Outros, voltam suas críticas para a Riot Games, fazendo um levantamento do pequeno número de competições internacionais das quais o Brasil participa. O formato do CBLoL também não foge das reclamações, uma vez que, para muitos, não é tão competitivo pela presença de apenas oito times, e um formato de escalada que não favorece em nada o cenário fraco que nós temos.

Mas, tento a mesma discussão ano após ano, todo brasileiro sabe que não são apenas esses os problemas da nossa região. No dia 3 de outubro de 2018, o jogador Ranger, Jungler da KaBuM, provou mais uma vez que o problema não está apenas na fomentação do cenário como também nas pessoas que o compõem. A campanha da KaBuM decepcionou ou entristeceu todos os brasileiros, é fato; mas as atitudes do jogador em suas redes sociais conseguiram ser mais vergonhosas do que as atuações dentro de Summoner’s Rift. Por meio de um Tweet, o Jungler da representante brasileira se referiu a um dos torcedores como “insignificante”, logo após receber uma crítica pelo seu desempenho.

Um jogador que sequer tem respeito para com os torcedores – que acordaram ás cinco horas da manhã para assistir o vexame apresentado por ele – não merece representar o país carregando o “fardo” de ser o melhor em sua posição.

Ranger é o espelho e o exemplo mais recente do estrelismo do nosso cenário, que apesar de formar ótimos jogadores, forma também algumas estrelas. Além das habilidades in game, os jogadores carregam consigo um psicológico fraco, despreparado, incapaz de ignorar uma crítica ao seu desempenho ou postura; ou até mesmo de absorve-la para não cometer o mesmo erro novamente.

Enquanto alguns de seus companheiros de equipe se lamentavam em seus perfis no Twitter, deixando de lado as críticas, Ranger fez diferente, utilizando do seu perfil para fazer piadas sobre os erros cometidos durante as partidas e faltar com respeito para com as pessoas e fãs que torciam para que ele e o seu time conseguissem representar bem o país lá fora. O final da história? Um pedido de desculpas, e Tweets apagados. Nada de novo por aqui.

Nosso cenário é rodeado de problemas estruturais, não há como negar. Mas isso não pode ser usado como desculpa para destratar ou ofender os torcedores, que muitas vezes movem céus e terras para estar ali ao lado dos seus “ídolos”, seja criticando ou apoiando.

É necessário para o Ranger e para os demais pro players que revejam seus conceitos, caso ainda não sejam capazes de entender sua posição como pessoa pública, que depende de sua base de fãs para se manter, isso antes de se apropriar do título de “melhor em sua posição” ou de qualquer título de campeão.

Não são apenas as habilidades dentro do jogo que lapidam o jogador, mas também as suas atitudes fora de “campo”. E para o cenário evoluir, precisamos modificar primeiro o comportamento e as atitudes das pessoas que o compõem, porque de nada adianta crescer se for apenas para continuar alimentando egos.

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