De mulher pra mulher: “You Go Girls” surge com o objetivo de aumentar a visibilidade das minas nos esports

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O mercado de games e esportes eletrônicos têm crescido cada vez mais no Brasil. O que antes era só uma brincadeira, se tornou hoje – além de um motivo de diversão – uma coisa séria, que vem atraído todo o tipo de público, sem exceção. É eminente que hoje, no mundo em que vivemos, as portas não estão totalmente abertas para todos, e não é diferente quando se trata do público feminino para com os esports.

De acordo com estatísticas divulgadas pela Pesquisa Game Brasil (PGB), as mulheres representam 58,6% dos gamers no país. O público feminino lidera nas estatísticas pela terceira vez consecutiva, mas ainda há quem diga que “jogar é coisa de menino” e diversas outras frases que só comprovam o machismo que perambula pelo cenário.

A promoção de campeonatos femininos como a Liga Feminina da Gamers Club (CS:GO) e a Super Liga Feminina (Rainbow Six) são muito importantes para dar visibilidade ao público em questão. A existência de torneios femininos em eventos como Brasil Game Show (BGS), GameCon, Geek & Game Rio Festival (GGRF) e GameXP também ajudam bastante a valorizar cada vez mais as “minas” aqui no Brasil.

O surgimento de iniciativas como o “#MyGameMyName” e o “Women in Gaming” têm mostrado que a união das mulheres está se tornando cada vez mais forte, e que é só uma questão de tempo para que as “minas” conquistem o espaço que elas merecem.

Atrelado a essas campanhas, surgiu recentemente o “You Go Girls”, que visa ampliar o reconhecimento feminino dentro do cenário. O projeto foi fundado por Nayara “Lalinha” Dornelas, e recebe o apoio de Gisele Oliveira e Danielle “Cherna” Andrade, um dos maiores destaques no cenário feminino de Rainbow Six.

O objetivo do projeto é apoiar as mulheres da comunidade gamer, sejam elas profissionais ou não. Queremos que elas se sintam acolhidas, e tenham voz, para podermos diminuir, nem que seja um pouco, o preconceito que sofrem. A gente vê tantos casos de meninas que são xingadas nos games só porque são mulheres, não é legal isso”, disse Nayara em entrevista ao Multiverso+.

No nosso blog, a gente aborda todo tipo de assunto do empoderamento feminino, mas os jogos são o nosso principal foco”, completou.

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(Foto: Divulgação)

Nayara nos contou que o que motivou ela a fundar o “Yo Go Girls” foi a sua própria experiência como entusiasta de jogos online.

Eu sempre gostei de jogos online, e por muito tempo me privei porque ouvia o tempo todo que era “coisa de garoto”, e porque sempre foram muito agressivos quando descobriam que eu era mulher. Então um dia, indo para uma feira de games, eu pensei: por que não tem um lugar para mulheres jogarem juntas e se sentir apoiadas? Eu estava realmente saturada de não fazer o que eu gostava por puro machismo”, afirmou.

Ela teceu comentários negativos quando o assunto foram as oportunidades que hoje existem para as mulheres no cenário competitivo: “Eu acho que ainda não é suficiente, ainda não temos as mesmas oportunidades”.

Eu fico muito feliz com toda iniciativa, mesmo que pequena, mas acho que falta valorizar mais o cenário feminino, as mulheres são mais da metade do público que jogam, tem que aproveitar. E as oportunidades hoje para entrar no meio competitivo são menores, é difícil as mulheres se destacarem, falta mais organizações investirem em times femininos, eu vejo muito times sem org., e times muito bons. Eu queria ler mais sobre uma grande organização que abriu vagas para as mulheres. A verdade é que falta acreditar que as mulheres são tão boas quanto os homens, mas eu acredito e confio que isso vai mudar”, contou.

Para Lalinha, os episódios que vaivém acontecem, envolvendo comentários machistas de dentro e fora do cenário, só atrapalham o processo de crescimento das meninas no meio.

Principalmente quando uma pessoa que tem muita visibilidade faz uma piada machista, preconceituosa em geral. Ela incentiva outras pessoas, já que muitas pessoas se espelham nela, e isso só dá mais certeza pro cara que tá assistindo, de que tá tudo bem falar, que não é nada demais, e isso vira uma bola de neve. Esquecem que tem uma mina, uma pessoa, que se sentiu ofendida, que pode deixar de fazer o que ela gosta”, explicou.

A gente vive nessa sociedade machista e por mais que na teoria digam que “a gente pode fazer tudo igual”, na prática, quando a gente tenta, já criam uma barreira. A gente não quer ninguém beijando nosso pé, só queremos respeito, é bem simples”, completou.

Gisele Oliveira, “braço direito” de Nayara nesse projeto, é uma grande fã de League of Legends. Ela nos contou que conheceu o jogo a quatro anos atrás. Na época, ela viu o namorado jogando, se interessou, e acompanha até hoje. O público de LoL é conhecido por ser um tanto quanto tóxico com as meninas dentro de jogo, tanto que, a Riot Games trabalha hoje em iniciativas para diminuir o preconceito dentro do jogo.

Durante a entrevista, Gisele comentou que já ouviu comentários desagradáveis até mesmo de seus amigos: “…ainda que não seja intencional, ou seja uma brincadeira, incomoda”, completou.

Ela nos disse que quando a Nayara à convidou para fazer parte da You Go Girls, ela ficou bastante feliz, mas também receosa: “Eu estava muito animada e com receio também, iniciar um projeto desses, é muita responsabilidade! Mas estou muito grata pela oportunidade, pela Nayara, que é “minha duo” maravilhosa, e por tanta gente ter abraçado o projeto”.

Gisele se mostrou mais “radical” em suas palavras, e sem papas na língua, não deixou de criticar fortemente o machismo e o preconceito que parte de muitos homens do cenário: “Às vezes eu acho que eles têm medo de nós”, brincou.

Inspiração

Ao final da entrevista, perguntamos às meninas, quais personalidades femininas do cenário elas se espelhavam e/ou admiravam. Nayara citou Camila “cAmyy” Natale, jogadora de CS:GO da OpTic Brasil, e Mônica “Riyuuka” Arruda, streamer da paiN Gaming.

Mas eu admiro todas as meninas que estão ai firme e forte, porque como eu disse antes, eu já cheguei a desistir, mas elas não (desistiram) e isso me dá uma energia e tanto para seguir com o projeto (You Go Girls)”, completou Lalinha.

Gisele por sua vez, comentou sobre a falta de visibilidade que as mulheres têm dentro do competitivo de League of Legends, e mencionou nomes importantes como Giuliana “Caju” Capitani, que durante muito tempo cuidou da imagem de Felipe “brTT”, e Raphaela “queenb” Laet, criadora de conteúdo bastante admirada principalmente pelo público LGBTQ+.

Ela citou também Carol “Tawna” Oliveira, que começou apenas como streamer de LoL e hoje trabalha como apresentadora na própria Riot Games. Gisele lembrou igualmente de Julia “Cute” Akemi, que foi a primeira menina a jogar uma partida oficial de LoL em estúdio. O ocorrido se passou no ano passado (2017), quando a jogadora, junto a CNB Trinity White, atuou numa série válida pela SuperLiga ABCDE.

Para mais informações sobre o You Go Girls, acesse o site oficial do projeto: http://yougogirls.com.br

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