Game of Thrones: Crítica do quinto episódio- Como um roteiro equivocado pode destruir uma franquia.

Tivemos nesse domingo o penúltimo episódio da saga Game of Thrones, exibida pelo canal pago HBO e seu serviço de streaming HBO Go. O que podemos analisar a respeito desse quase final de saga? Bem, em primeiro lugar, vale citar que os livros que deram origem a saga ainda não terminaram, logo, o material de referência para os autores e showrunners  (David Benioff e D.B. Weiss) para produção dos episódios há muito tempo já secou.

Alguns podem pensar “oras porque então não ouviram o George R.R Martin?! Afinal, ele é o criador de tudo e sabe como acaba.” Bem isso tem uma resposta fácil, ele provavelmente não vai dizer o final da saga para os autores da série. Por mais que sejamos fãs da exibição na tv, ele é um autor de livros e seu público não é o que assiste aos domingos na HBO, e sim os que compram seus escritos, sua fidelidade é para com eles, logo ele não vai estragar a surpresa de quem o acompanha desde o inicio nos seus textos revelando tudo para os showrunners colocarem na temporada final.

Dito isso, ficou claro que enquanto a série chegava ao seu final e o material base tinha acabado, os produtores ficaram largados no meio da tormenta, eles tinham uma produção muito amada nas mãos, que custava milhões de dólares por episódio, mas sem ter ideia do material base ao qual iam adaptar seus escritos, era como se estivessem criando uma obra a parte.

Imagine se as adaptações de sucesso para o cinema, como Senhor dos Anéis, por exemplo, no ultimo filme: O Retorno do Rei, que venceu 11 Oscars, inclusive roteiro adaptado, não tivesse um livro para ser baseado, se o Tolkien não tivesse terminado a obra, será que ele seria o sucesso que foi? Duvido muito!

Mas vamos agora à análise com isso em mente. Nos quesitos direção e efeitos especiais, o episódio foi muito bom, diferente da luta contra o Night King (Vladimir ‘Furdo’ Furdik), essa batalha foi de dia, logo, se conseguia enxergar, mas não apenas isso, mostrou ótimas cenas de batalha e a força total do Drogon, o dragão mais inteligente e forte da Daenerys (Emilia Clarke), que conseguiu destruir todas as defesas de Porto Real, inclusive as que mataram seu irmão Rhaegal, sem muito esforço.

A trilha foi boa, mas sem nenhum momento marcante, porém estava lá e cumpriu seu papel.

Agora o ponto negativo além do motivo do meu texto antes de começar a crítica. O roteiro se perdeu completamente e tirou o peso de diversos encontros e personagens. Vamos citar por partes: a Arya Stark (Maisie Williams) vai para Porto Real para matar a Cersei Lannister (Lena Headey), mas acaba simplesmente virando uma forma de nos deixar com ódio da Daenerys Targaryen, virando uma forma de ser imortal e que só está lá para mostrar o quão cruel Daenerys está sendo com uma personagem tão querida pelos fãs, no fim ela acha um cavalo que ninguém sabe como sobreviveu e segue seu caminho para uma vingança, talvez…

O Jon Snow (Kit Harington) só serviu para fazer caras e bocas e se mostrar surpreso pela carnificina, o mesmo vale para o Sor Davos (Liam Cunningham) e para o próprio Tyrion Lannister (Peter Dinklage) que serve apenas para mostrar sua incapacidade de avaliar a situação, algo que sempre foi seu forte, mostrando que quem estava correto no final seria o Varys (Conleth Hill) que morre logo no início do episódio.

O arco do Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) foi outro que foi completamente apagado, após sua redenção e inclusive relação com a Brienne de Tarth (Gwendoline Christie), ele serviu mais uma vez de capacho da Cersei, morreram de certa forma como descrito, juntos, com ele segurando o pescoço dela, porém foi um tanto quanto anti-climático uma personagem tão detestável quanto a Cersei ter uma morte tão simplória.

A Daenerys ter ficado louca é o pior, ela já tinha derrotado todos os seus inimigos, os sinos da rendição já badalavam, ela tinha nesse momento três opções:

1- Não fazer nada e esperar seu exército controlar a região, já que os remanescentes dos guerreiros Lannisters tinham desistido.

2- Ir direto em direção da Cersei e matá-la acabando com tudo de uma vez.

3- Atacar civis inocentes, incluindo mulheres e crianças, destruir quase toda a cidade apenas para mostrar que é tirânica igual a Cersei e ser a ultima vilã da série, desconstruindo toda a ideia da personagem.

Pelo tom da crítica fica obvio qual foi a escolha.

O Euron Greyjoy (Johan Philip Asbæk) serviu só para ferir o Jaimie Lannister antes de morrer em um combate contra ele, sua participação foi risória.

Se teve um embate interessante e fechamento de ciclo foi o duelo entre os irmãos Clegane, com o Cão, Sandor Clegane (Rory McCann) se vingando de seu irmão Gregor Clegane (Hafþór Björnsson) , Gregor que já era praticamente um zumbi imortal além do tamanho e força descomunais, depois de um duelo excelente com o Cão gravemente machucado e sem conseguir machucar seriamente o seu irmão zumbi, em seu ultimo ataque leva ambos para a morte, com tudo acabando nas chamas que queimavam a cidade.

Em suma, o episódio foi muito bom em todos os aspectos técnicos, porém se perdeu completamente com um roteiro pífio que não fez jus a tudo o que foi visto no decorrer dos anos. Podemos por boa parte da culpa na falta de material base como dito no inicio do texto, porém uma série com tamanho sucesso teriam outras opções, como estender a trama por mais algumas temporadas para esperar o fim da saga nos livros, levando inclusive outras histórias da saga literária para as telas. Porém existe algo que se encaixa no contexto. Imaginem que os livros escritos pelo George RR Martin são como os registros dos meistres, ou seja, relatam tudo exatamente como aconteceu, já a série de televisão é um tio bêbado no jantar relatando o que ele ouviu falar.

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