Stranger Things 3 – Crítica

E a tranquila cidade de Hawkins não tem descanso… Mais uma vez a maldade humana e sobrenatural alcança essa pequena cidade estadunidense em mais uma temporada de Stranger Things! Com um novo núcleo de vilões e ameças do mundo invertido, a terceira temporada vem para expandir o universo.

Mas quando você fala expandir o universo você quer dizer que a história sai de Hawkins?

Não e sim. Seguindo o material que inspira a série desde o início (Os Goonies, It, e outros filmes oitentistas) a trama em si desenvolve e conclui na cidade de Hawkins, mas diferente do que a segunda temporada tentou fazer e falhou miseravelmente, a terceira apresenta uma ligação dos problemas paranormais da franquia com outros lugares físicos da Terra e sua relação com outros grupos governamentais.

Não é que a trama dessa vez descamba para uma ameaça global iminente. Os demagorgons e seu mestre Devorador de Mentes são, desde o princípio, uma ameaça ao seres humanos. Mas na primeira temporada era uma questão mais local, até porque era apenas um monstro agindo ativamente, e na segunda temporada quando somos apresentados ao Devorador de Mentes a questão escala para uma ameça além de Hawkins, mas que sinceramente não consegue passar bem a ideia de que toda a humanidade está em perigo.

Agora a questão é outra: a ameaça do Mundo Invertido é sem dúvida alguma uma ameaça à humanidade, e diferente da segunda temporada agora nós somos convencidos disso. O inimigo não é apenas puro instinto, ele agora planeja, trama, e quer vingança.

Nossa, agora até deu medo.

Sim, de fato da medo. Mas não é essa a pegada que a terceira temporada tenta passar. Assim como as duas anteriores, a terceira é bem enraizada na comédia. A cima de tudo essa é uma série juvenil, e agora mais que nas anteriores aborda muitos temas relacionado aos jovens: os nossos protagonistas estão passando por uma fase de transição da vida infantil para a adolescência, e por isso vemos mais conflitos românticos e de interesses, mudanças de comportamento e pensamento, mas sempre com um pé muito bem firme na comédia.

E o bom que as piadas feitas em cima dos nossos seis protagonistas (quarteto original + Eleven e Max) não tem um teor cômico bobo, você como espectador consegue entender porque eles estão passando por determinadas situação pois são todas muito naturais. Fazem parte do processo de amadurecimento, tanto os personagens que já estão mais crescidos (Mike e Lucas e Max), quanto os que ainda estão no limiar da passagem da infantilidade para a adolescência (Eleven, Dustin e Will, principalmente o Will).

Então, se você se preocupou que agora a série iria caminhar para uma pegada mais sombria, esqueça. Você ainda vai rir muito com ela.

Pô, maneiro a parada das crianças. Mas e os outros personagens?

Ai caro leitor que a série faz seu show: essa é a temporada dos jovens e adultos!

Nancy e Jonathan estão muito bem encaixados na série como jovens que estão entrando no mercado de trabalho, e aos poucos procurando espaço enquanto lidam com a pressão dos chefes, e a Nancy em específico luta muito contra o machismo que está muito presente no ambiente de trabalho que ela quer crescer.

No núcleo desse jovem casal, essa temporada é muito mais da Nancy do que do Jonathan, e isso adicionou MUITO a série, porque fez crescer um personagem que na primeira temporada corria muito por fora da trama principal, deu uma melhorada na segunda, mas ainda faltava espaço para ela e foi muito bem entregue na terceira temporada.

O Steve teve um núcleo próprio com uma adição fenomenal da Robin (Maya Hawke), que na minha opinião colaborou muito para completar o crescimento do personagem, mas por motivos de spoiler não vou me aprofundar muito nessa personagem que diferente da péssima Kali (Linnea Berthelsen), a Robin veio para ficar.

Mas voltando pro Steve, agora nessa temporada ele completa a transição do bullyier intimidador e popular da primeira temporada, que durante a segunda temporada pega o papel do amigo mais velho da garotada, para agora ser dos jovens o que mais amadureceu, deixando de lado todas as preocupação adolescente com popularidade e superficialidades para ser o cara que apenas quer ser feliz. Que não se importa como são seus amigos, apenas que eles sejam seus amigos: desde um adolescente apaixonado pela ciência como o Dustin à sua amiga de trabalho hiperativa, a Robin.

Ó, ta realmente interessante. Mas não está faltando mais dois?

Caro leitor, ta faltando uma penca de personagens como o Billy, irmão da Max, mas falar do Billy nessa temporada é dar spoiler, apenas posso dizer que o personagem está muito melhor do que na temporada anterior. E além do Billy somos apresentados a outros personagens muito interessantes como o Alexei (Alex Utgoff) que funciona muito bem no núcleo que é a cereja do bolo: Hopper e Joyce.

Céus, como esses dois personagem ficaram incríveis nessa temporada! Toda a dinâmica dos dois amigos que se gostam mas não dão o braço a torcer por questão do passado, e mesmo assim eles querem e gostam muito da presença um do outro. Os momentos em que Joyce é a conselheira do Hopper, e vice e versa. E a confusão inacreditável que os dois se metem nessa temporada, em que eles tem que encarrar o que até agora foi o vilão humano mais implacável e ameaçador que vou chama-lo aqui de Exterminador.

Nesses dois personagens, mais do que todos outros, é possível ver toda a construção que a série vem trazendo para ambos, mas principalmente o Hopper tem nessa temporada o seu auge.

Wow! E nota?

Bem, não tem como ser diferente: na escala Multiverso+ a terceira temporada fica com a nota 10/10. Ela não apenas volta para o grau de excelência que a primeira temporada entregou, ela melhora aspectos que eram muito pedidos pelo público como a ação, o vilão e a ameaça que ele representa. E acima de tudo ela entrega o crescimento de grande parte do elenco principal, sem ter que recorrer a barriga imensa que a temporada anterior teve.

E você? O que achou da terceira temporada? Escreva nos comentários sua opinião, e siga o Multiverso+ nas redes sociais.

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