Rambo: Até o Fim traz tudo aquilo que se poderia esperar da franquia

Rambo Até o Fim chegou trazendo consigo tudo aquilo que se poderia esperar da franquia iniciada no cinema em 1982 com Rambo – Programado para matar e estrelada por Sylvester Stallone. Caso você não tenha visto algum dos quatro filmes anteriores, provavelmente reconhecerá o estilo ‘brucutu‘ da produção cinematográfica: temática de guerra, soldados, muitos tiros, explosões e violência sem suavização, por vezes tocando o gore.

Porém o longa traz, além de todo esse fan-service para os que amam e acompanham a franquia, questionamentos importantes sobre o impacto do pós-guerra em um soldado e como pode ser difícil e dolorosa a busca em não mais agir para matar ou morrer.

 

 

O título original do filme, Last Blood, primeiramente evoca a ideia sobre um possível desfecho. A correlação é feita com o primeiro filme, Rambo: First Blood (1982) que foi baseado no livro First Blood de David Morrell (publicado  em 1972). Seria este um merecido descanso para John Rambo?


 

Mantendo a surpresa – afinal de contas esta é uma crítica sem spoilers! – em ‘Até o Fim’ encontramos um John Rambo maduro, envelhecido e buscando viver tranquilamente. De volta ao Rancho da família Rambo, localizado na fronteira entre os Estados unidos e o México, o ex-soldado, portanto, agora luta para conseguir desvencilhar-se dos fantasmas que ainda teimam em assombrá-lo.

O estresse pós-traumático, combatido com medicamentos e uma vida mais reclusa parecem estar mantendo John sob controle. Mas como de costume as coisas saem de controle. E então, a filha de uma amiga é sequestrada e o herói terá de enfrentar um dos mais violentos cartéis mexicanos.

 

 

 

O que esperar do filme?

Isto é bem fácil de se responder: Simplesmente o que há em todos os filmes da série. Rambo preparando armadilhas contra seus inimigos utilizando-se de sua vasta experiência em guerras, resistindo à dor bravamente sempre que necessário, cenas violentas e um ar mais ‘oitentista’ em sua essência. Há inúmeras explosões, mutilações, adrenalina e confrontos, além do já consagrado arco e flecha. Isto por si só já seria o suficiente para satisfazer os mais ávidos fãs.

Porém há mais, como dito no início dessa crítica: Podemos ver um lado de John Rambo mais suavizado pelo tempo e pelas inúmeras perdas que teve de suportar. Isto o fez buscar ainda mais proteger aqueles que para ele são sua família. E assim vemos a base de valores em que ele pauta suas ações, que apesar de superficialmente violentas para uns, são em busca de proteger seus ideais, amigos e entes queridos.

Apesar de não muito bem recebido pela crítica geral, que considerou o filme exageradamente violento e com um roteiro muito raso, Rambo Até o Fim não foi completamente exagerado. As críticas mais pesadas são voltadas à violência, à simplificação dos inimigos de John, e à representação restrita do núcleo mexicano – embora justificável no contexto do longa por tratar de crimes envolvendo cartéis e sequestro de pessoas. Poderia-se desenvolver maiores nuances que convenceriam ainda mais o público sobre a necessidade de agir do ex boina verde.

Um outro ponto a ser criticado é o ritmo desenvolvido no filme. Este por vezes é corrido e sem brechas para as cenas e diálogos se aprofundarem. E isso, pode ter colaborado para não esclarecer maiores questões em aberto sobre a família e conflitos vividos por Rambo. Parece ter faltado um maior tempo para explorar as nuances que cada personagem carrega.

Enfim, Rambo Até o Fim, foi apenas John Rambo, sendo o mesmo ex-soldado sobrevivente da Guerra do Vietnã. Este, em sua eterna luta por um mundo onde ele não seja mais necessário.

 


Se você já é um fã dos clássicos da franquia Rambo não irá se decepcionar. Tudo o que busca está ali.
Ok, nem tudo. Não há mais os longos cabelos e a faixa vermelha icônica.

Mas está tudo bem, pois, afinal de contas, o mundo não é todo ‘sunshine and rainbows‘.

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