A Roda do Tempo (1° temporada) - Crítica com spoilers

A Roda do Tempo (1° temporada) – Crítica com spoilers

A Roda do Tempo estreou na Amazon Prime Video no dia 19 de novembro e chegou à marca de lançamento mais assistido não apenas entre séries, mas em relação a todos os conteúdos da plataforma.

Não é novidade que o gênero de cinema “fantasia” agrada muito o público. Muitos sucessos de bilheteria são provas disso: O Senhor dos Anéis, O Hobbit, A Saga Star Wars… sem falar dos sucessos presentes nos streamings, como Game of Thrones e The Witcher. 

É fato que filmes fantásticos com poderes místicos, cavaleiros, guerras e batalhas épicas são elementos que chamam a atenção das pessoas. E como são, em maior parte, adaptações de universos escritos em páginas de uma série de livros, com A Roda do Tempo não foi diferente. 

A série de livros “A Roda do Tempo” é considerada a maior e mais elaborada obra de literatura fantástica já criada desde os livros de J.R.R. Tolkien. O autor é Robert Jordan, e os 14 volumes foram publicados entre 1990 e 2013. 

Sinopse: 

As vidas de cinco jovens mudam para sempre quando uma mulher estranha e poderosa chega dizendo que um deles é a criança de uma antiga profecia, com o poder de alterar o equilíbrio entre Luz e Trevas para sempre. Eles precisam decidir se confiam na desconhecida – e uns nos outros – para mudar o destino do mundo antes que o Tenebroso consiga se libertar de sua prisão e que a Última Batalha comece.

A Roda do Tempo
A Roda do Tempo | Amazon Prime Video

 

Crítica:

‘A Roda do Tempo’ não começou como esperava. Os 4 primeiros episódios não são suficientes para prender o telespectador, e é comum que as pessoas desistam da série nos primeiros episódios. Isso ocorre porque a série dá a impressão de ser grandiosa — a ambientação é fantástica, com destaque aos planos gerais abertos, que introduzem o local da história antes e durante as cenas, e são de tirar o fôlego —, mas não consegue demonstrar tanto essa grandiosidade e complexidade do universo descrito no livro entre conversas e planos fechados. 

A série é protagonizada por Moiraine Sedai (Rosamund Pike), que faz parte das Aes Sedai. Neste universo, as mulheres detém o poder, e essa é uma questão muito importante. Ao que a série indicou, esse grupo de mulheres têm suas funções designadas de acordo com o grupo o qual pertence, diferenciado por cores. Moiraine é uma Ae Sedai azul, mas a série não demonstrou muito a organização.

Apenas no episódio 6, quando os personagens chegam a uma cidade grande, Tar Valon, que podemos ver um pouco mais sobre a política. A obra pecou ao não apresentar explicações sobre a dinâmica das posições políticas das mulheres, mas ainda assim, é uma narrativa muito interessante. Em entrevista ao site Cinema com Rapadura, o produtor Marigo Kehoe afirmou:

“O que eu amo é que tudo envolve mulheres poderosas, e manter o equilíbrio nesse universo, como o que ocorre entre homens e mulheres, é o que diferencia tudo para que a série fale sobre questões tão importantes. E, para isso, conta com um grupo de mulheres incríveis, o que é extremamente relevante hoje em dia, para que tudo isso possa ser discutido.”

Outro ponto que incomoda é a falta de batalhas grandiosas. No início, com a horda de trollocs perseguindo o grupo de possíveis dragões renascidos, imaginei que a série apresentaria mais esse embate, mas ele só acontece no primeiro e no último episódio. 

A Roda do Tempo, a todo momento, dá a intenção de que todo o problema é mundialmente catastrófico, mas não consegue nos transmitir essa ideia. Isso poderia ser corrigido por meio da direção de imagem, dos planos utilizados, pelo número de pessoas nas batalhas ou pela representação e efeitos visuais insuficientes dos poderes das Ae Sedai, que são tão poderosas. 

Além disso, o episódio final, apesar de mais promissor que o início da série, também foi decepcionante em alguns momentos. A parte onde algumas controladoras do caos se unem para ajudar na última batalha (da temporada) contra os trollocs é muito confusa. Se as mulheres que detém esse poder podem unir suas forças para potencializarem os ataques, por que isso não foi feito antes? e isso será usado novamente? 

Sem falar que, na mesma cena, a Nynaeve (Zoë Robins) morre e, de repente, Egwene (Madeleine Madden) a ressuscita. São soluções pouco trabalhadas e fáceis demais para resolver o problema, além de tirar toda comoção e drama que poderia haver sobre essa morte. Seria muito melhor que ela morresse e o grupo de amigos tivesse que lidar com este sentimento, pois assim, a sensação como telespectadores seria de que eles não são invencíveis, o que torna tudo mais interessante. O furo de roteiro se torna mais provável no futuro, pois se algum personagem morrer, Egwene só precisa chorar sobre o corpo. Fácil demais, né? 

Ademais, há outra cena final que também foi decepcionante. Ao longo da série, há um mistério pairando sobre quais são as intenções de Moraine Sedai. Ela é uma mulher misteriosa, e diria que está numa vibe Geralt de Rivia, e seu silêncio é ainda mais evidente ao levar em consideração que Aes Sedai não podem mentir. De certo modo, a impressão que temos é que ela é muito poderosa, e que tem um plano para todas situações, bem como Rand afirmava. 

Entretanto, no momento em que Rand encontrou o Senhor das Trevas (que não é nem um pouco aterrorizante), Moraine não fez nada. Ela estava extremamente imponente na situação e, ao que parece, seu único plano era matar Rand caso ele escolhesse o lado errado.

Um ponto positivo é a parte em que Rand visualiza seu maior desejo, formar uma família com Egwene, mas depois entende que aquilo não era real, pois Egwene não queria essa vida. Entretanto, num geral, essa cena foi decepcionante, pois o encontro com o Senhor das Trevas nada Trevoso (poderiam facilmente trocar pelo falso dragão de Álvaro Morte que ficaria melhor) não condiz com o que estava sendo construído antes, a tensão que havia para esse momento.

A série peca em vários sentidos, e não fiz essa análise baseada na história dos livros e da adaptação, mas numa perspectiva de alguém que não conhecia o universo. Apesar de tudo isso, houveram alguns pontos altos, e a ideia é sensacional. Então, mesmo com essas falhas, espero por uma melhora na próxima temporada. 

Por tudo isso, a primeira temporada de A Roda do Tempo é 6/10.

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Jornalista em formação, marvete de carteirinha e amante da sétima arte.

Ana Carolina Ferreira

Jornalista em formação, marvete de carteirinha e amante da sétima arte.