Resolutiion | Análise | Vejam minha solução

O que achamos de Resolutiion?

Sabe quando você passeia por um católogo de jogos (seja na Steam, Playstore ou eShop) e encontra um jogo que parece muito atraente visualmente? Mas, quando você decide dar uma olhada na jogabilidade, esse game mostra a verdadeira face, e então você percebe que ele se perde no meio de muitos outros. Esse é o resumo de Resolutiion

Resolutiion é um jogo de ação e aventura com clara inspiração em outros como os Zeldas clássicos e Metroid na sua jogabilidade. O objetivo do game é explorar o mapa e derrotar chefões para recuperar os fragmentos da memória do personagem principal, sem nome.

Se eu precisasse definir o que senti sobre Resolutiion em poucas palavras, acho que seria isso: um jogo que se perde no meio dos outros. Na verdade, eu consigo perceber muito potencial para o que ele poderia ser, e me entristece ver a pobre execução que ele teve para se tornar o que é hoje em dia. E digo isso, claro, baseado na minha opinião, mas também do que eu vi em pesquisas e que confirmaram que não era só minha preferência de gênero que interferia nessa opinião.

Alguns pontos positivos

Primeiramente, acho importante ressaltar o que o game conseguiu fazer de bem. O visual colorido e infeccioso do game é algo que salta aos olhos, e com certeza agrada os fãs de  jogos de exploração com diversas telas, assim como em Zelda: A Link to The Past. O tamanho amplo dos mapas também pode ser interessante para aqueles que desejarem conhecê-lo por inteiro. 

Como dá pra ver, o design das áreas pode ser muito adorável (Reprodução/Acervo pessoal)
Mas também pode ser ácido e infeccioso (Reprodução/Acervo pessoal)

Apesar do visual divertido, ele diverge em vários momentos com a música que lhe acompanha. A soundtrack do jogo é interessante; nada espetacular, nada péssimo. Um grande problema é a sua constante, algo que, fora em games de terror, é realmente cansativo. Grande parte das músicas do jogo evocam um clima de tensão, medo ou apreensão, mesmo que nem sempre o cenário evoque este mesmo sentimento. Afinal, há vários cenários coloridos e divertidos dentro do game. Isso acaba sendo cansativo, apesar das músicas não serem ruins

Até mesmo entre os pontos que considero positivos dentro de Resolutiion, os problemas são claros, e revelam um jogo que parece inconstante no que deseja.

A questão da exploração

Em relação à exploração, tenho aí uma reclamação que, ao que parece, não é só minha. Youtubers que fizeram críticas ao jogo disseram que a exploração é um grande – senão o maior – problema de Resolutiion. 

Caminhos que não dão em nada, saídas trancadas ou impassáveis, mapas pouco detalhados, caminhos de difícil progressão. Isso são problemas constantes e que geram frustração, especialmente porque o mapa não tem detalhamento de níveis ou de caminhos, e quando a utilização do mapa é lenta por que não existe um específico de cada área.  A música novamente aparece como um grande problema, pois não há momentos de paz ou uma música ambiente suficientemente  agradável de se ouvir – todas elas evocam um sentimento de inconsolação.

O mapa é grande, confuso, e cheio de caminhos sem propósito. ((Reprodução/Acervo pessoal)

Por isso, caso o jogador queira progredir com a história, é capaz que fique mais tempo tendo de achar o caminho certo do que lutando contra inimigos, lendo diálogos, quebrando coisas  para receber itens ou coisa do gênero. E também, boa sorte para encontrar seu objetivo, pois grande parte do jogo é passado sem ao menos uma indicação.

 Tudo isso faz grande parte da minha crítica de que este jogo não se decide; apesar de se dizer um jogo de “ação e aventura”, o jogo tem pouca ação e nenhuma aventura, até que se encontre o caminho certo para lutar contra alguns inimigos. Acabando os inimigos, lá vem a chatice de explorar de novo.

Todo caminho pode dar em nada, como este em uma área que dá para um peixe falando sobre seus benefícios nutritivos (Reprodução/Acervo pessoal)

A jogabilidade em si

Passada a questão da “aventura” do jogo, passemos para a “ação”. Como sabemos, jogos devem aprender a balancear a dificuldade com a recompensa para que o jogo não seja chato.

É normal que RPGs, por exemplo, sejam complicados, mas maestrar o uso de magias  e coisas do tipo acompanha grandes recompensas (grande dano, mais recompensas, coisas assim). Para aumentar sua força, a exploração do mapa é o único jeito, pois não se ganha experiência matando os monstros ou gastando dinheiro com os “Conspiradores” espalhados pelo mapa (todos eles são charlatões que foram colocados com a intenção de fazer piada, mas na verdade isso só deixa a experiência, mais frustrante). Então, não se tem uma recompensa por nada além de fazer a parte mais chata e travada do jogo: a exploração. É quase como se todos os upgrades e novos apetrechos fossem quase como uma tortura, e não uma recompensa.

Além disso, Resolutiion tem um pequeno cabide de apetrechos para ajudar o jogador em sua jornada; isso não seria um problema se a jogabilidade fosse, de fato, fluida. Maestrar o uso do seu ataque básico e das armas se torna um “must”, pois suas armas são lentas e demoram quase um segundo para ser possível usar, o que faz muitas diferença em um jogo baseado na velocidade.

Das opções na tela, apenas duas delas são armas. O rifle é muito lento de ser utilizado, o que gera frustração na gameplay. A bomba é aceitável, mas demora demais para explodir (Reprodução/Acervo pessoal)

Se não bastasse isso, os combates do jogo não são suficientemente interessantes para manter a atenção do jogador. Sem uma real recompensa, é mais fácil ignorar seus inimigos e só seguir para o seu objetivo, pois isso não faz nenhuma diferença. A questão é que tanto “ir ao seu objetivo” como “lutar contra seus inimigos” são tarefas sem um real engajamento, porquê são chatas; ou fáceis demais, ou difíceis demais (literalmente eu consegui matar um inimigo chamado Deus na primeira tentativa, mas um carinha de máscara em Sea of Flesh me fez quitar do jogo antes de terminá-lo).

Smith é um chefão que cai na categoria do “muito difícil”. Inclusive, em comparação com os outros chefes do game, esse está num nível completamente diferente, mesmo não sendo nenhum inimigo especial. (Reprodução/Acervo pessoal)

Mas e a história?

Bom, talvez mesmo com a jogabilidade na média e a exploração totalmente dificultada, a história compense, certo? Não. A história são só vários retalhos sem sentido que dificilmente se conectam.

E nessa parte eu consigo ver um alto potencial, pois o game trata de questões profundas da natureza política e filosófica do ser humano, mas tudo isso é jogado e desconexo. É como se Resolutiion fosse um bêbado, falando um monte de coisas sobre a vida sem necessariamente ter conexão entre si.

Alguns diálogos são interessantes, mas não adicionam nada (Reprodução/Acervo pessoal)

Tristemente, tudo que se fala é muito criativo, mas a quantidade de NPCs e diálogos é minúscula. Por isso, é mais fácil ignorar a história e tentar seguir pro seu objetivo. Porquê? Nem eu sei.

Conclusão sobre Resolutiion:

Bom, é difícil salvar muita coisa de Resolutiion. Algumas das recomendações da Steam diziam que o jogo era feito para jogadores hardcore, mas pra mim isso é puramente uma tentativa de gostar do “underdog” (pois o jogo não é muito popular).

Eu congratulo os desenvolvedores pelo design dos personagens e do mapa, que é muito agradável esteticamente, só desejaria que se decidissem entre o pós-apocalíptico e assustador e o adorável. Talvez, se optassem pela primeira opção, a trilha sonora fizesse um pouco mais de sentido e se encaixasse completamente. 

Daí, poderiam colocar o terror como fator no jogo, o que explicaria jogabilidade um pouco mais travada e difícil, como ela já é. Também explicaria o mapa frustrante e difícil de navegar, para demonstrar a confusão do personagem. 

Porém, infelizmente este não é um jogo de terror. Ele pode ser um pesadelo para os jogadores, mas a verdade é que os desenvolvedores se perderam no propósito do jogo, dando à ele diversas caras sem conseguir defini-lo em sua plenitude. Tudo que resta dele é apreciá-lo bem de longe por seu belo design ou, então, tentar sofrer em – algumas – batalhas de chefão.

Fora isso, nada de muito bom resta nesse game. Ele é tão chato que nem fazer teoria sobre a história eu tive vontade. Acho que até falar sobre ele me deu cansaço, então vou parar por aqui.

Notas:

Enredo: 2/10

Gráficos: 8/10

Jogabilidade: 3/10

Som: 5/10

 

Nota final: 4,5/10

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Comentários

Sempre me chamam por Muri! Sou fanático por jogos de RPG e de ritmo. Também tenho fascínio animações e quadrinhos japoneses (animes e mangás), bem como pelo cenário musical nipônico. Atualmente estudo Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.

Murillo La Fonte

Sempre me chamam por Muri! Sou fanático por jogos de RPG e de ritmo. Também tenho fascínio animações e quadrinhos japoneses (animes e mangás), bem como pelo cenário musical nipônico. Atualmente estudo Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.