Amor e Monstros: Crítica com spoilers

Talvez você opte por ver Amor e Monstros porque o filme estreou já no top 10 da Netflix. Talvez por se tratar de um dos concorrentes do Oscar 2021, na categoria de Melhores Efeitos Especiais. Mas também pode ser simplesmente porque você gosta de comédia e filmes pós-apocalípticos. Assim como no filme, não importa o que te leve a fazer essa jornada, o importante que assistir o filme mude alguma coisa para você. E nesta crítica vamos conversar sobre isso com spoilers.

Amor e Monstros é uma comédia ambientada em um mundo dominado por insetos mutantes gigantes e outras aberrações. Mas vale ressaltar a ironia que nos leva a esse mundo. Tudo começou na realidade há 7 anos, quando um asteroide que iria se chocar com a Terra e justamente as medidas de defesa dos humanos acabariam com 95% da humanidade em um ano. O asteroide foi bombardeado e destruído, mas os elementos químicos presentes do armamento transformaram por completo a fauna do planeta ao retornarem a superfície da Terra, criando assim esses monstros.

A trama

Os humanos sobrevivem em colônias subterrâneas da forma que conseguem. Não é uma vida boa, não é uma vida fácil e definitivamente tudo é uma ameaça ao tentar andar na superfície. No filme acompanhamos a jornada de Joel (Dylan O’Brien), um jovem sonhador que foi separado de sua namorada, Aimee na confusão de “fim do mundo”. Joel é um excelente cozinheiro para sua colônia, mas é também extremamente medroso. Assim, ele nunca participa de buscas na superfície ou de medidas de defesa da colônia em caso de invasão.

O filme tem um estilo de comédia misturada à busca por sobrevivência que lembra muito Zumbilândia. Mas ao mesmo tempo Amor e Monstros tem uma identidade única ao reunir elementos inesperados de tantas formas diferentes, brincando com ritmo de cenas e expectativas.

Há sete anos Joel apenas conversa com Aimee por rádio. A jovem está em uma colônia do outro lado dos Estados Unidos, o que impossibilita encontros. E para piorar, todos na colônia de Joel possuem um alguém especial a seu lado, menos ele. Assim, Joel percebe um dia que está apenas sobrevivendo e decide mudar as coisas viajando sozinho para a colônia de Aimee. A jornada é dura. Sete dias de caminhada para uma pessoa sedentária, que não sabe se defender e literalmente congela de medo para qualquer ameaça. Ninguém de sua colônia acredita que ele poderia sobreviver, mas o convívio os fez se tornarem a família de Joel e todos o apoiam e ajudam na medida do possível.

A jornada do herói

O filme traz a jornada do herói de forma clara. Joel precisa sair de sua zona de conforto, aprender a sobreviver e lutar para atravessar o país e viver feliz para sempre com o amor de sua vida. Esse era o plano, mas assim como na vida real, imprevistos acontecem.

Houveram imprevistos bons, como Joel conhecer o fiel cachorro Boy que o faz companhia na jornada e o ajuda a sobreviver quando necessário. Há imprevistos que trazem esperança, como encontrar temporariamente os sobreviventes Clyde e Minnow pelo caminho para auxiliá-lo a criar uma rotina e ritmo para Joel se fortalecer. Afinal, se nós em um mundo normal ficamos cansados para caramba com a 1 hora do primeiro dia de academia, imagina esse menino andando o dia inteirinho com terrenos irregulares e ainda precisando fugir de insetos mutantes gigantes.

Joel evolui e consegue chegar a seu destino final: a colônia de Aimee. Tudo apenas para descobrir que não tem seu amor correspondido, não mais. Aimee está mudada e não quer saber de romance, o que é e não é inesperado. Do ponto de vista romântico, claro, é difícil não torcer para o reencontro terminar com um final feliz. Mas ao mesmo tempo não tem como não ficar com aquela “pulguinha atrás da orelha” de que 7 anos é tempo demais e que ela provavelmente está em outra.

A desilusão amorosa é boa para colocar em perspectiva o que Joel precisa realmente fazer da vida e deixar para traz a pessoa fraca e sonhadora que ele era quando adolescente, quando o “fim do mundo” aconteceu e foi separado de sua namorada e de seus pais, que morreram. Joel percebe que o que ele quer e precisa de verdade é de sua colônia e faz o que for preciso para retornar a eles.

Aprendizado

Joel documentava há anos tudo o que via deste mundo pós-apocalíptico e a jornada o fez perceber o quão importante é divulgar todo o conhecimento que acumulou, principalmente dessa trajetória dos 7 dias, para que outros sobreviventes não apenas sobrevivessem, mas pudessem buscar uma forma de viver melhor. Ele começa a transmitir via ondas de rádio todo o conhecimento que aprendeu afirmando que “se eu consegui todos conseguem”, no melhor estilo coach motivacional.

E Joel realmente movimenta diversas colônias. O tempo dos humanos apenas sobreviverem acabou. É hora de juntar os pedaços e começar a construir algo novo. Tudo graças a Joel.

Efeitos especiais

Não é a toa que Amor e Monstros foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais. O filme utiliza muitos efeitos de computação, mas também muitos efeitos práticos. A mistura das duas técnicas foi um casamento perfeito, trazendo grande realismo às cenas de ação.

A Netflix inclusive divulgou um vídeo sobre os bastidores de algumas cenas de efeitos especiais, com legenda em português. Confira.

Dessa forma, não há como não admirar os efeitos utilizados no filme. Se formos levar em consideração o que geralmente é escolhido no Oscar, Amor e Monstros é o grande azarão da competição. Mas também seria impossível não haver uma indicação de Melhores Efeitos Especiais para este filme no Oscar 2021.

Comentários

Clarissa Montalvão

Formada em Comunicação Social pela UFRJ.Pode me chamar de Cla ou Clari.Estou sempre de olho no mundo dos esports para trazer o melhor conteúdo para vocês.E adoro maratonar séries e filmes nas horas vagas! Então podem esperar algumas críticas de produtos audiovisuais bem mainstream por aqui também.