O Falcão e o Soldado Invernal: Crítica

O Falcão e o Soldado Invernal chegou com muitas expectativas e mudanças a fazer no MCU.

 

O Falcão e o Soldado Invernal, da Disney+, trouxe ao protagonismo 2 personagens coadjuvantes do antigo Capitão América de Chris Evans. Ambos os personagens foram crescendo nos filmes sem grande foco, porém a abordagem de demonstrar o dia a dia atual, em contraste com as mudanças que ocorreram fora das câmeras durante e após os acontecimentos do Blip, deram a ambos a oportunidade de crescer perante o público.

 

De Soldado Invernal para Lobo Branco

 

 

Bucky, o Soldado Invernal, ainda não assumiu o nome de Lobo Branco e ainda segue com os traumas de sua época de Soldado Invernal, com seus pesadelos e outros personagens ainda o tratando como tal. Bucky começa a história como qualquer veterano de filmes de guerra, tentando retornar a uma vida normal e consertar os erros do passado. A jornada de autodescobrimento de James Barnes é rapidamente influenciada pelo otimismo teimoso de Sam. A relação entre os 2 traz contrastes fortes devido a melancolia do Sargento que luta para acreditar nos ideais que antes foram de seu amigo Steve Rogers.

A cada novo episódio, Bucky cresce e se afasta de sua antiga identidade e isso dá pra ver só de olhar para o personagem, que aos poucos vai perdendo sua cara congelada de durão e recuperando seu sorriso de sua primeira aparição. Além disso, o vimos pela primeira vez tomar uma decisão voltada menos para objetivo e mais para o heroísmo, quando abandonou a perseguição aos Apátridas para salvar o grupo de reféns preso no carro em chamas.

Com tudo isso, Bucky acabou tendo, dentre os protagonistas o maior desenvolvimento, se tornando, enfim, um personagem interessante.

 

O Agente Americano

 

 

John Walker, o Decapitador América, foi interpretado magistralmente por Wyatt Russel. O ator roubou diversas cenas em que esteve presente com sua linguagem corporal que dizia muito mais sobre o personagem do que suas falas. Desde as primeiras cenas era possível perceber na interpretação do ator o quanto John era perturbado e instável. O, agora, Agente Americano teve um arco de decadência e redenção muito interessantes e coerentes com a história apresentada na série. Um homem perturbado por suas decisões no passado teve seu melhor amigo e parceiro assassinado a sangue frio em sua frente e perdeu o controle, sendo severamente punido e deixado de lado por aqueles que um dia defendeu e obedeceu. Foi mais que o suficiente para enviá-lo numa missão de vingança contra o inimigo que, em sua interpretação, tinha causado tudo isso. A adição de La Fontaine em seu caminho foi apenas uma desculpa para Walker partir para cima com seu escudo improvisado e rapidamente se encontrar em uma decisão difícil: se vingar ou proteger. Ter largado o escudo antes de segurar o carro foi muito mais que se livrar de um objeto que o dificultaria em seu objetivo, mas se livrar de todo seu passado que o impedia de seguir em frente. O Agente Americano agora tem um novo objetivo e está livre, ou assim ele pensa. A

Condessa Valetina Allegra de Fontaine nunca é um nome seguido de boas notícias nos quadrinhos. A agente que trabalha para todos os governos e organizações secretas ao mesmo tempo entrou para o MCU e parece estar manipulando novamente nosso querido anti herói ao fim de O Falcão e o Soldado Invernal.

 

O Capitão América!

 

 

Sam Wilson é o novo Capitão América e isso é uma mensagem tanto para o mundo do MCU quanto para o mundo real! O Falcão e o Soldado Invernal finalmente trouxe no cinema e nas séries um símbolo dos EUA negro, que tem opinião e que a demonstra. Sim, tivemos inúmeras representações de pessoas importantíssimas do movimento negro em Hollywood, mas nenhuma destas adaptações tem o alcance e popularidade que o universo da Marvel alcançou nos dias de hoje. 

No início da série, o então Falcão se encontrava em conflito com a decisão de Steve Rogers de lhe deixar seu escudo. A pressão de carregar todo o racismo do povo americano nas costas foi forte demais e o personagem julgou que deveria devolver o escudo para o governo, o que desencadeou todo o arco de John Walker na série. O desenvolvimento de Sam foi muito mais voltado a superação de suas inseguranças quanto a suas capacidades. Mesmo não sendo tão abordadas nas produções anteriores, a nova série da Disney+ traz a tona todas as qualidade deste incrível personagem, trazendo-o para o lugar de maior destaque no MCU.

Todo o caos causado por John Walker mostrou a Sam que sua insegurança em relação ao escudo e manto de Cap precisavam ser vencidas ou os mesmo poderiam ser ainda mais manchados por um governo que pouco se importava com o que aquele símbolo representava para a população, mas sim queria apenas usá-lo como plataforma política.

A série em diversos momentos demonstrou o quanto o racismo ainda é presente em nossa sociedade – sim, nossa! Apesar de não morarmos nos EUA, vivemos em um país onde todas as políticas e costumes refletem perfeitamente tudo que foi demonstrado na série, sendo o Brasil ainda pior – com a ocultação de Isaiah Bradley e a total falta de interesse do governo americano em sequer considerar Sam Wilson para o “papel” de Capitão América, mesmo o personagem estando em posse do escudo que lhe foi dado pelo próprio Steve Rogers. Isaiah denunciou isso em todas as suas participações, em especial ao contar sua história para Sam, onde foi categórico ao dizer que os EUA jamais aceitariam um Capitão América negro, fato que foi confirmado por Bucky durante seu treinamento com o escudo. Bucky comentou que tanto ele quanto Steve não haviam considerado a pressão e dificuldades que um homem negro poderia ter para assumir o manto de maior herói dos Estados Unidos da América, pedindo desculpas ao amigo.

A discussão sobre o racismo está muito presente nos dias de hoje e não é à toa, com movimentos grandes em escala mundial como o Black Lives Matter e ainda discursos menos comentados, porém tão importantes quanto, como o de Camilla de Lucas na atual edição do Big Brother Brasil, em que afirmou com muita sabedoria que os negros estão cansados de explicar e ensinar o que é racismo e porque é errado.

A Marvel cumpriu muito bem seu papel como influenciadora no desenvolvimento tanto da série quanto do discurso do novo e nosso Capitão América. Sam disse que podia sentir os olhares e reprovação de milhões de americanos por este estar vestindo as estrelas e listras que até então só podiam ser usadas por homens de cabelo loiro e olhos azuis. Essa afirmação carrega muito mais significado se considerarmos que, de forma análoga, um país do tamanho do Brasil, com milhões de habitantes, ainda tem pouquíssimos políticos e pessoas tidas como referência de pele negra. Sam Wilson lutará contra os inimigos dos EUA e contra seu próprio povo que já o rejeita antes mesmo de começar seu trabalho.

Mas não foi só de racismo que o novo Cap tratou. Em seu discurso, criticou profundamente a política de diminuição da vida humana ao questionar porque as pessoas que foram abrigadas durante o Blip precisavam ser despejadas de seus lares para que os donos antigos pudessem reocupá-los. As vidas “antigas” são mais importantes que as “atuais”? Quem decide quem tem direito a uma vida digna? As pessoas com poder suficiente pra alimentar milhões com apenas um telefonema não o fazem por que?

O homem que um dia tinha seu nome confundido como Falcão Negro fez a pergunta mais importante de todas àqueles políticos: Vocês que tem o mesmo poder de um deus louco todo-poderoso, vão fazer o que com isso?

 

E agora?

 

 

Ao fim da série descobrimos que Sharon era na verdade o Mercador do Poder e estava usando ambos os heróis e os vilões para benefício próprio. A ex-agente ainda teve seu nome limpo e cargo restituído, o que vai facilitar seus contrabandos ainda mais. A Mercadora do Poder se tornou ainda mais perigosa.

Zemo, após uma participação surpreendente aos que achavam que seria o vilão principal, foi preso, mas continua influente no exterior, talvez até mais que antes. Será que ele vai ser realmente contatado para se tornar parte dos Thunderbolts (versão governamental dos Vingadores, onde vilões e anti heróis são usados para missões secretas que os heróis não aceitariam)?

Karli Morgenthau e os Apátridas estão mortos, porém Karli disse que o movimento era maior que eles e, inclusive, um dos guardas que escoltaram os extremistas ainda vivos recitou o lema do grupo. Será que o desejo deles viverá além de sua existência através do povo que acreditou neles? Independente do que acontecer, a Marvel precisa melhorar e muito esse ponto da história, pois os Apátridas, em especial a Karli, não tiveram um plano bem definido para sua causa, o que tornaria injustificável a afirmação de Karli.

Mas não foi só de vilões e notícias ruins que o desfecho da história foi feito. Isaiah Bradley, após sua história de sofrimento extremo e injustiças sem fim, finalmente teve seu reconhecimento merecido e agora faz parte do memorial ao Capitão América Steve Rogers. Além dele, Bucky e a família Wilson finalmente reencontraram a paz, inclusive o primeiro finalmente encontrou força para contar a Yori o que houve com seu filho. Agora Bucky não está mais preso ao seu passado de Soldado Invernal.

Fora tudo isso, nos resta aguardar as próximas produções da Marvel Studios! Comente conosco o que você achou de O Falcão e o Soldado Invernal e compartilhe este texto com seus amigos.

 

Ouça também o nosso podcast: https://multiversomais.com/podcast/m-podcast-67-o-falcao-e-o-soldado-invernal-o-final/

Comentários