Crítica: Creed 2- Uma homenagem em tom de despedida

Uma saga que sempre fez um enorme sucesso entre diversos fãs no mundo todo, porém sempre teve um desapreço pela crítica na maioria dos filmes da franquia, foi Rocky. A história do lutador de boxe com fala complicada e lutas empolgantes, o garanhão italiano, interpretado pelo Sylvester Stallone desde 1976. Personagem que pode se dizer  o mais importante da prolífera carreira do ator.

O primeiro Rocky de longe o que mais agradou a crítica, foi escrito pelo então desconhecido Stallone, num momento difícil financeiramente, com muita custa conseguiu um estúdio que quis produzir o longa, com ele no papel principal após várias respostas negativas. Mesmo ganhando pouco pelo trabalho, para surpresa de todos, o filme foi um enorme sucesso de crítica e público. Chegando a concorrer a diversos Oscars inclusive roteiro e atuação para o Stallone, venceu os mais importantes melhor filme e melhor direção para John D. Avildsen.
Depois desse sucesso se sucederam mais cinco filmes ao longo dos anos, quase todos foram massacrados pela crítica, porém o público continuou amando. Stallone decidiu aposentar o personagem no sexto título, porém mudou de ideia ao ler o roteiro do primeiro Creed de 2015. O sucesso dele que rendeu outra indicação ao Oscar de melhor ator a Stallone colocou Michael B. Jordan como personagem principal na franquia como Adonis Creed, filho de Appolo Creed, adversário de Rocky nos dois primeiros longas lá em 1976 e 1979, logo após virando grande amigo do lutador até sua morte no ringue na quarta obra em 1985, vingada por Rocky no final da mesma.
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Agora temos Creed 2, a saga que como um todo sempre teve mais foco no drama do que nas lutas em si, nesse não é diferente. Porém uma análise tem de ser feita, esse filme tem três valores, um para quem é fã de toda saga Rocky, principalmente do terceiro e quarto filmes, outro para quem viu apenas o primeiro Creed, ainda existe para quem for assistir apenas esse Creed 2 sem nunca ter visto nenhum dos outros.
Analisando o filme separadamente como longa único e esquecendo toda a saga, o filme ainda é bom, mas perde em muito a graça, quem assistir pode até se divertir, mas será completamente diferente da emoção dos fãs de toda a saga.
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Adonis nesse filme luta contra Viktor Drago, interpretado por Florian Monteanu, e filho de Ivan Drago lutador que venceu seu pai e o matou no quarto longa da franquia Rocky, interpretado novamente por Dolph Lundgren. Com uma criação completamente diferente, Viktor é um muito mais forte que Adonis, da mesma forma que seu pai era bem maior que Apollo ou Rocky.
O filme tem diversas referências a saga Rocky com reaparições de diversos atores que participaram dos longas, com menções a acontecimentos passados e uma montagem muito parecida com outros da franquia. Isso talvez se dê em parte pela volta de Sylvester Stallone no auxílio ao roteiro, que em grande parte foi dele.
Da mesma forma por exemplo, que o Rocky tinha o apoio de uma grande mulher, Adrian interpretada do primeiro ao quinto filme pela Talia ShireAdonis tem ao seu lado não uma, mas duas mulheres, sua mãe, Mary Anne Creed (Phylicia Rashard), porém principalmente sua esposa, Bianca (Tessa Thompson) sempre ao seu lado, apoiando durante as lutas, sofrendo com cada golpe, ajudando a levantar a cada queda, comemorando a cada ataque.
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A trilha do filme é boa, porém tem uma pegada mais rap, o que tem a ver com o longa, mas pode incomodar alguns fãs da saga clássica, porém a volta da estrutura e conceito compensa e muito.
A fotografia é muito boa, com cenas interessantes, porém o excesso de câmeras lentas nos momentos dos socos mais fortes nas lutas incomoda e muito. As atuações estão ótimas, principalmente do elenco principal, todos deram a alma pelo filme, tem cenas marcantes e mostraram o porque do amor por esses personagens.
O roteiro é bom, existem erros pontuais, porém ainda empolga, apesar de poder incomodar quem é mais detalhista. A direção de Stevan Cable Jr é boa e o principal deixa os astros da história serem Adonis e Viktor, Rocky e Ivan estão lá e tem sua importância, mas não tomam o filme para si.
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Creed 2 tem um valor muito maior para quem assistiu toda a saga, mas ainda é um bom filme. Não existe como dar notas variadas, mas analisando  como obra única apesar do dois no título é um longa que pode ser o primeiro a ser assistido, perde boa parte da graça, é verdade, mas ainda assim pode servir de estepe para novos fãs na franquia, o que com certeza valerá a pena.
Direção 8
Roteiro: 7
Atuações: 8
Trilha: 6
Fotografia: 7
Nota final: 7

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