#Porqueémulher Nyvi Estephan fala sobre carreira e o mercado feminino nos jogos

Nyvi Estephan é a principal apresentadora de games e esportes eletrônicos do país. Desde 2014, já apresentou alguns dos mais relevantes campeonatos do Brasil, LATAM e até mesmo mundiais. Um ícone representativo feminino do cenário, atualmente ela faz parte do corpo de jornalistas do e-SporTV e Ubisoft eSports, além de ser apresentadora da Rede Globo e fazer stream para o Facebook Gaming.

Nyvi iniciou sua carreira na Gamewise e Mega Arena X5, apresentando os mais diversos campeonatos de esportes eletrônicos: Counter Strike: GO, Overwatch, League of Legends, Rainbow Six Siege, World of Warcraft, Heroes of The Storm, Hearthstone e entre outros. Mas, atualmente ela faz parte da Game XP, considerado o maior game park do mundo. O evento, por sua vez, acontece no Rio de Janeiro, uma vez por ano. Também é apresentadora do Prêmio eSports Brasil.

Além do joguinho.

Dentre os seus trabalhos mais recentes, Nyvi apresentou um reality show no Sportv para encontrar um (a) novo (a) caster para o Rainbow Six e por último, o Rock in Rio 2019, que foge um pouco do seu ramo. Contudo, ela conduziu com maestria e tudo nos leva a crer que ela caminha atualmente para uma nova fase da vida.

Fora das telonas.

Em outubro de 2016 foi a capa da revista Playboy em uma edição totalmente voltada à tecnologia e games. Sua edição foi eleita pelo site oficial a melhor publicação do ano.

Outras visibilidades.

Atualmente, Nyvi é finalista a apresentadora do ano no Esports Awards 2019. Esta premiação certamente é uma das  mais importantes para os esports, coroando grandes destaques da cena. Por lá, ela concorre junto com nomes internacionais como James “Dash” Patterson (LoL), Tres “Stuna” Saranthus (CS:GO), Eefje “Sjokz” Deporteere (LoL/CS:GO) e muito mais.

É a primeira vez que uma apresentadora MULHER e BRASILEIRA é indicada a este prêmio. Vale lembrar que além de Nyvi outros dois brasileiros também concorrem, Gabriel “Fallen” Toledo e Alan “Alanzoka” Ferreira também disputam, respectivamente nas categorias Personalidade do Ano e Streamer do Ano.

Inclusive, para conseguir votar nos brasileiros, clique aqui.

Em entrevista especial para o Multiverso+, Nyvi conta um pouco mais sobre a história da sua carreira e sobre o espaço para mulheres no mercado de esports.

Multiverso+: Você começou trabalhando em stands e depois desenvolveu esse trabalho lindo como apresentadora de campeonatos e agora o mais recente, de televisão. Qual foi a parte mais difícil ao longo dessa trajetória?

Nyvi: Na realidade, eu comecei nos esports já atuando como apresentadora de campeonatos pequenos ou amadores, mas passei a atuar com stands nas feiras de game como forma de estar mais presente nesse universo. Contudo, a trajetória que tive em minha carreira foi bem desafiadora em vários aspectos. O mais difícil, creio que foi o tempo que levou até o meu trabalho e esforço serem reconhecidos e, principalmente, todas as versões de mim mesma que eu tive que descobrir durante esse processo.

M+: A importância da mulher nos jogos eletrônicos hoje é um dos assuntos mais discutidos (graças a Deus). Para você o que falta para as mulheres ganharem mais espaço e serem livres? Que atitudes precisam ser tomadas? E quanto ao incentivo dos times brasileiros, você acredita que devemos jogar em times mistos ou separados?

Nyvi: Acredito que estamos no caminho certo. A utopia é as mulheres jogarem em times mistos, mas, pra ajudar nesse processo, campeonatos femininos são fundamentais, pois fortalecem essas mulheres que querem iniciar sua carreira como atleta em um ambiente preparado pra elas, sem que elas sejam desencorajadas por serem comparadas a outros homens.

Nesse caso, os campeonatos femininos ajudam a revelar esses talentos que podem vir a integrar times mistos no futuro. Ainda somos minorias entre os jogadores profissionais e isso causa um estranhamento por parte da comunidade, o que vira uma exposição que muitas mulheres não aguentam e acabam desistindo de integrar times mistos, mas isso está mudando.

Entre os casuais os sexos são bem mais homogêneos, e é apenas um reflexo do empoderamento atual, em que a mulher pode escolher o seu hobbie, sem se preocupar com o inconsciente coletivo. Não fomos encorajadas a jogar quando crianças e, na maioria dos casos, não ganhávamos video-games, por ser essa uma atividade vista como masculina.

Mas a grande prova de que gostamos tanto de jogos quanto os homens, é que entre os jogadores mobile, já somos maioria. (Está muito claro que o problema era a falta de acesso que tínhamos, né? Já que tanto uma mulher quanto um homem pode ter um celular e escolher o que fazer com ele). Enquanto somos minoria, estatisticamente, é natural termos mais homens se destacando do que mulheres. Mas o crescimento exponencial de mulheres atletas é um passo, sem volta pra o equilíbrio de gêneros.

M+:  A televisão revolucionou o esport no Brasil. Para você qual foi o principal impacto das telonas no mercado de esporte eletrônico?

Nyvi: Principalmente a relação com os pais e com as marcas. A relação com as marcas traz patrocínio para os times e campeonatos, o que causa crescimento do mercado profissional como um todo e cada vez mais atletas amparados. E a relação com as famílias desses atletas é importante: a televisão legitima para esses que o mercado é sério e que o atleta pode investir seu tempo nessa carreira. A televisão beneficia todo o mercado.

M+: Você é considerada a musa do Rainbow Six. Qual foi o evento do jogo que você mais gostou de participar? Além desse game, qual outro jogo você curte?

Nyvi: Já apresentei campeonatos de mais de 20 jogos competitivos, mas posso dizer que Rainbow Six está entre os que tenho um carinho especial. Isso porque apresentei os primeiros campeonatos, quando surgiu o competitivo do mesmo no Brasil.

Depois o vi crescer, cobri vários mundiais em vários lugares do mundo e apresentei um mundial aqui no Brasil (que com certeza foi o campeonato do Siege que eu mais gostei de participar). Mas tenho carinho por vários outros, é difícil escolher um favorito, mas vou citar mais dois: em 2016 apresentei um Invitational de Counter Strike que esteve entre os campeonatos que marcaram a volta do CS no Brasil.

Foram muitos dias de campeonato que contaram com a participação da antiga Luminosity gaming (quando Fallen, Taco e Fer faziam parte da organização), além de um time Argentino e a maioria das feras que temos hoje representando o Brasil no CS. E em 2018 apresentei um campeonato mundial de Point Blank na qual o Brasil foi campeão. Chorei muito em palco, também foi muito marcante pra mim.



#PorqueÉMulher é uma campanha necessária.

No dia 19 de julho, Camilla “Milla” Garcia levantava ao vivo o troféu de campeã do Looking for a Caster, após uma acirrada disputa com Victor Stoker na final do primeiro reality show do SporTV e da VIU Hub, unidade de negócios digitais da Globosat. Reality Show, que por sinal, Nyvi apresentou. Milla havia se tornando a nova voz do Rainbow Six Siege no Brasil, em uma decisão do público (teve 55% dos votos) ao empatar com seu oponente nas escolhas feitas pelo júri especializado e pelo time interno do Esporte do Grupo Globo. Na sequência, a narradora foi alvo de uma leva de comentários machistas nas redes sociais, com acusações e julgamentos alegando que sua vitória não era por talento, mas sim por ela ser mulher.

Isso levou a VIU Hub e o SporTV a sentirem necessidade de reforçar a importância do assunto com a campanha #PorqueÉMulher. Isso ocorreu a partir da divulgação de um vídeo-manifesto nas redes sociais do e-sporTV. E também no canal no YouTube especializado em eSports, como ponto de partida das ações.

“Milla e Stoker foram dois finalistas exemplares. É natural que algumas pessoas não concordem, o que não é normal é ofender com críticas machistas por não aceitar o resultado. Com esse movimento queremos abrir ainda mais espaço para diálogos que possam contribuir para alguma mudança positiva na sociedade”, afirma Vanessa Oliveira, diretora geral da VIU Hub.

Dentre os participantes da campanha está Nyvi Estephan, o jornalista Chandy Teixeira e outros.

As primeiras críticas vieram assim que o resultado foi anunciado nas redes sociais do e-SporTV.

“Quando lemos esses comentários percebemos que ainda temos um longo caminho a trilhar para acabar com esse tipo de pensamento. Milla não ganhou por ser mulher, ela foi eleita porque passa emoção, porque tem uma voz marcante e expressiva, porque se mostrou tecnicamente preparada para narrar o game”, explica Leandro Valentim, Head de Novos Negócios do Esporte do Grupo Globo.

#PorqueÉMulher chegou para reforçar um tema já trabalhado em outras frentes como #DeixaElaTrabalhar, “Mexeu com uma, mexeu com todas”, #PrimeiroAssédio e “Não é não!”, entre outras. O assunto também é discutido em programas de outras marcas da Globosat.

“Essa campanha é necessária e já foi abraçada também pelo GNT, Multishow, Canal Brasil, Universal e Gloob, por exemplo. Ela começou por causa de comentários do universo gamer nas redes do e-SporTV e do SporTV, mas é algo que acontece em diversas outras frentes. Vamos ampliar a discussão dentro dos nossos programas e redes sociais”, adianta Mariana Novaes, gerente de marketing da Globosat.

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