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The Town 2023: estreia do festival entra para a história

Um dia que vai entrar para a história do entretenimento no Brasil. Assim como na primeira edição do Rock in Rio, nem mesmo a chuva que caiu sobre a Cidade da Música foi capaz de apagar a plateia que, literalmente, brilhou na estreia do The Town.

No Skyline, um show de luzes abusou da tecnologia para emocionar e dar protagonismo ao público que recebeu Ney Matogrosso em uma participação especial repleta de significado. Logo após a performance de Iggy Azalea, o artista, primeiro a se apresentar no festival de 1985, surgiu para interpretar “América do Sul”, acompanhado por um mar de pulseiras que brilhavam em harmonia com o palco e com as centenas de LEDs espalhados pela Cidade da Música.

O primeiro show do espaço trouxe a união do funk do Rio de Janeiro com o trap de São Paulo, contando com os MCs Hariel Ryan de SP e Cabelinho. Antes mesmo da abertura dos portões, às 14h, fãs de Demi Lovato e Post Malone já faziam fila fora do Autódromo querendo garantir um lugar na grade e viver a emoção de inaugurar a Cidade da Música. 

créditos: I hate flash
créditos: I hate flash

Os primeiros a atravessar as catracas se depararam com o fundador do The Town, Roberto Medina, que foi pessoalmente recepcionar os fãs e acompanhar a entrada do público neste primeiro dia. Os ingressos para o primeiro dia de festival se esgotaram por volta das 12h deste sábado.  

O The One teve um dia dedicado à música urbana fazendo um passeio por gerações com um line-up de Tasha & Tracie acompanhadas por Karol Conká – representando as mulheres do rap – os Racionais MCs com a Orquestra de Heliópolis, passado por Criolo junto ao Planet Ramp.

No New Dance Order, OSGEMEOS mostraram como arte e música eletrônica podem ser uma combinação perfeita. “Fomos abduzidos por toda essa magia. É só o começo de uma eterna experiência”, definiu a dupla. Com uma programação pensada para todas as tribos, o The Town contou com Urias, Caio Luccas, Kayblack e Teto no Factoy.

O Jazz foi muito bem representado no São Paulo Square, que recebeu grandes nomes do gênero como Hermeto Pascoal e Esperanza Spalding, além de duas performances da São Paulo Big Band: uma instrumental e outra com Alma Thomas representando grandes vozes femininas do gênero.

Os amantes do Blues encontraram seu lugar no Highway Stage – localizado na Rota 85, com shows do pianista Luiz Otávio, Lucielle Berge e Twila Correia. Área dedicada a lembrar a primeira edição do Rock in Rio, a Rota conta com várias cenografias que rendem ao público fotos divertidas para as redes sociais, além do cinema que traz um curta com a história do irmão mais velho do The Town.  

“Estou extasiado. Não vivia uma emoção tão única como essa desde 1985, na estreia do Rock in Rio. A abertura dos portões para a primeira edição do The Town foi mágica. Ney Matogrosso também proporcionou um momento único e emblemático com um espetáculo de luzes no Skyline. Gostaria de agradecer a cada uma das 100 mil pessoas que passaram pela Cidade da Música e realizaram esse sonho junto comigo. Ainda temos mais quatro dias pela frente, que serão incríveis.” comemora Roberto Medina, presidente e fundador da Rock World, empresa que criou, organiza e produz o The Town e o Rock in Rio. 

Emoção toma conta dos primeiros fãs a pisarem no The Town 

Vale quase tudo para ser o primeiro a pisar na Cidade da Música. O publicitário Fernando Mota Chrispim, chegou ao Autódromo na última quinta-feira (31) acompanhado por um grupo de quinze pessoas para acampar e garantir que veria Demi Lovato de perto. “Amar a Demi Lovato é uma coisa impressionante. Fazemos o possível e o impossível para estar lá na frente dela. É uma honra e um sentimento divertido estar aqui”, comenta. Dennis Lima, estudante de 29 anos, que está logo atrás de Fernando, crava: “A grade é nossa”.  

créditos: I hate flash
créditos: I hate flash

Já a jornalista Andrea Alves veio de Catanduva, no interior de São Paulo, para viver pessoalmente a emoção que sentiu em 1985 ao ver o Rock in Rio pela TV. Com lágrimas nos olhos, ela lembra que, apesar de ser muito criança, ficou fascinada. “A vida foi acontecendo e só consegui ir ao Rock In Rio 2015, edição de 30 anos. Ao entrar no festival, chorei. Em 2017, perdi a minha mãe em abril, mas já tinha comprado ingresso pro Rock In Rio.

Fui em todos os dias. Em 2019, fiz um tratamento contra o câncer, e fui todos os dias mais uma vez, de bengalinha e pantufa, pois não conseguia andar. Ano passado, depois de tudo o que passamos, lá estava eu. E hoje, estou aqui, fazendo história”, celebra.

O sentimento ficou ainda mais à flor da pele quando, ao entrar na Cidade da Música, ela se deparou com Roberto Medina e pôde contar a forte relação que possui com o Rock in Rio e que, agora, terá com The Town: “Nunca imaginei que fosse encontrar o Medina”, conta, em êxtase. A jornalista ainda diz que vem para ver os artistas nacionais, como Racionais: “Os brasileiros capricham mais”, conclui.  

Além da turma da grade e dos veteranos em festivais, houve quem estivesse vivendo a experiência pela primeira vez. A engenheira Fernanda Santos, 27 anos, veio ao primeiro dia de The Town por Demi Lovato: “Sou fã desde 2019!”, conta. “Vai ser uma baita experiência, porque é o primeiro dia do festival, é um dia histórico! Estou empolgada para ver a infraestrutura do festival, porque é o primeiro que vou. A experiência aqui vai ser o meu parâmetro para os outros”, diz.   

Shows memoráveis marcam o primeiro dia de The Town  

Se em 1985, Ney Matogrosso fez história ao abrir o primeiro Rock In Rio, o lendário artista brasileiro repetiu a performance e o visual ao tocar “América do Sul” no Skyline. “Foi ótimo, mesmo com a chuva. Não nos atrapalhou e, apesar de tudo, o público está receptivo e muito animado”, declarou, em entrevista ao Multishow. A participação de Ney foi pensada pela organização para se tornar mais um momento histórico, contando com a participação da plateia. Pulseiras como as usadas pelo Coldplay no Rock in Rio de 2022 foram distribuídas ao público proporcionando um show de luzes inesquecível. “Quando vi o show do Coldplay no ano passado, senti a mesma emoção de quando vi o Freddie Mercury em 85. Logo pensei que poderíamos criar lindas memórias no público que participaria do primeiro dia de The Town. Foi lindo de ver”, conta Roberto Medina.  

O sucesso foi tamanho que a interação das pulseiras acabou durando toda noite. Pulseiras foram distribuídas na entrada da Cidade da Música e usada não só no show de Ney Matogrosso, como no da Demi Lovato e Post Malone. “Foi uma surpresa que preparamos. Não vai ter em outros dias de The Town, foi só para esse dia inaugural. Todo o público recebeu, então foram aproximadamente 100 mil pulseiras distribuídas e recolhidas”, explica Luis Justo, CEO da Rock World. 

A inspiração veio, é claro, do Rock In Rio 1985. “Para o Roberto, o público tinha que ser mostrado para o mundo, e iluminamos a plateia com os moving lights, inspirados também pela tecnologia usada pelo Coldplay no Rock in Rio do ano passado”, concluiu.  

O dia no Skyline começou com um belo funk carioca comandado por Mc Hariel, Mc Ryan SP e Mc Cabelinho. O show foi pensado para mostrar a união entre Rio e São Paulo e agitou uma plateia lotada com diversos hits como “Felina”, “Tem café” e “Fogo e Gasolina”. A australiana Iggy Azalea seguiu a programação do palco Skyline com um figurino todo verde e amarelo.

créditos: I hate flash | The Town
créditos: I hate flash | The Town

A música de abertura não poderia ser outra: “Brazil”, com toques de funk. Muito esperada por fãs, a apresentação de Demi Lovato também contou com um look abrasileirado. E para quem já viu outros shows da cantora, esse aqui foi mais voltado para o rock, desde as guitarras mais presentes ao visual mais imponente. Sem dúvidas, o grande momento foi quando Luísa Sonza subiu ao palco cantar “Penhasco2”, faixa do novo álbum “Escândalo Íntimo”, recém-lançado pela brasileira, e que tem participação de Demi, que canta em português. Daqueles momentos que vão ficar marcados na história dos festivais. 

Com a camisa da seleção brasileira de Neymar Jr., Post Malone agitou a saideira no Skyline do sábado (2) e esbanjou carisma com muita dança e interação com o público; ele até arriscou uma ou outra palavra em português, como o clássico “obrigado”. Mas a emoção tomou conta quando um fã foi convidado para realizar o sonho de muitos: tocar “Stay” no violão, enquanto a voz de Post ecoou por todo o palco. Mais para o final do show, Post Malone se jogou na galera e andou nas grades próximas ao público com uma flor na orelha ao som de “Sunflower”.  

Encontros do The One mostram potência da música urbana 

 Criolo foi destaque do palco The One com um setlist todo dedicado ao rap que o consagrou no Brasil e no resto do mundo. O artista subiu ao palco ao som de “Pretos ganhando dinheiro incomoda demais” e foi acompanhado pelo público em sucessos como “Não existe amor em São Paulo”. Protagonizando um dos grandes encontros da noite, Planet Hemp se juntou a Criolo no palco e intensificou a performance dos artistas e do público, mesmo embaixo de uma chuva que insistia em cair. A primeira canção foi “Distopia”, parceria do grupo o próprio Criolo.  

Mais cedo, o palco recebeu Tasha e Tracie com Karol Conká, atração que abriu a programação do The One no primeiro dia de festival. Segundo Zé Ricardo, Diretor Artístico da Rock World, a apresentação representa a participação feminina no rap. Sem dúvidas, as colabs marcaram este primeiro dia de The Town. Orochi, expoente do rap e trap cariocas, recebeu Azzy. Fechando o dia no The One, Racionais MC’s & Orquestra Sinfônica deram tudo de si, e Mano Brown comandou uma festa cheia de reflexões e críticas com hits como “Negro Dama”, “Jesus Chorou” e “Vida Loka Parte 2”. 

Foi o show mais aguardado do primeiro dia de festival no palco The One. A expectativa não era apenas pelo grupo de rappers, mas também pela atuação da primeira Orquestra Sinfônica do mundo a surgir numa favela. O maestro Edilson Ventureli foi o responsável por conduzir os instrumentistas e coral. O show agitou a plateia e emocionou os fãs, que entoaram os sucessos dos Racionais do começo ao fim. 

New Dance Order tem OSGEMOS e festas da noite paulistana 

Mais do que uma apresentação, os Gêmeos trouxeram uma experiência até o palco New Dance Order neste sábado (2). A premiada dupla reconhecida mundialmente por seus grafites uniu arte e música e fez a plateia delirar ao som de uma trilha sonora especial que foi do hiphop ao eletrônico dos anos 80. O trio de amigos Bruna Villela, Vitor Lima e Bittencourt veio de Goiânia especialmente para curtir o The Town e aproveitou para também assistir à performance inédita de Os Gêmeos: “Gostamos de ver as obras deles retratadas no palco. A chuva faz parte da mágica porque não tem como controlar. Foi ótimo”, diz Vitor Lima. 

 Rota 85 relembra história do Rock in Rio com cenografias instagramáveis 

A história do Rock in Rio contada na Rota 85 do The Town, chamou a atenção de todos que passaram o dia no festival. O local teve um show emblemático da cantora paulista Twyla Correia, que abriu o palco Highway Stage, encantando o público com repertórios que iam desde Amy Winehouse até músicas de sua própria autoria. A área onde está a estátua do fundador do Rock In Rio e idealizador do The Town, Roberto Medina, atraiu todos os tipos de público. A cenografia representa o dia em que Medina quase desistiu de realizar o Rock in Rio de 1985 e foi convencido, após três horas de conversa, por dois homens desconhecidos que estavam em um Passat e que também são representados por estátuas de cera no festival.  

O tênis de 1985 com lama também chamou a atenção de quem queria garantir as fotos para as redes sociais, como no caso do grupo de jovens moradores de São Paulo. “As atrações propostas para esse festival são muito boas, tanto que o plano era vir somente hoje, mas decidi vir amanhã também. Oportunidades como essa não dá para perder, e tirar fotos nesse espaço e poder entender um pouco da história deste grande festival é muito bacana”, disse Larissa Modesto, de 19 anos.  

créditos: I hate flash | The Town
créditos: I hate flash | The Town

A capela, que amanhã terá um casamento oficial às 16h, hoje celebrou uma união fictícia com a presença de Freddie Mercury. O espaço ficou cheio de casais apaixonados, celebrando o amor e a diversidade. Para o casal de Presidente Prudente, Yuri e Camila, casados há treze anos, foi mais uma oportunidade de celebrar o amor entre eles e ao festival. “Já é a quarta vez que vamos nos casar, e toda vez é a mesma emoção. Não podemos perder a oportunidade de renovar o amor”. 

The Town – O Musical conta com Roberto Medina no público  

Marcando presença na primeira edição do The Town, Roberto Medina assistiu à estreia do musical inédito desenvolvido especialmente para o festival.  A obra conta a história de um músico que vem do interior sonhando cantar em um grande evento e, superando os desafios, ele realiza este grande sonho. O roteiro tem ligação com a história do criador do Rock In Rio que, neste momento, se sente recomeçando a sua jornada. Neste sábado (02), às 15h40, Roberto vibrou e se emocionou ao assistir a primeira apresentação pública do ““The Town – o Musical” que conta com mais de 40 atores.  

Andreia Alves, que já havia encontrado Medina na entrada do festival, não conteve a emoção ao encontrá-lo mais uma vez. “Coincidentemente, entrei na apresentação do musical e de repente vi o Roberto Medina, eu desabei e comecei a tremer… e falei para ele: continua sonhando, que a gente sonha junto com você”, conclui.  

 Leia mais: The Town 2023: dicas para curtir o festival

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Jornalista & Blogueira. Não foge de um bom filme, série ou um jogo da hora. Fã da Marvel e apaixonada por Tomb Raider <3

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