Lucifer: Crítica da 5ª temporada (parte 1) COM SPOILERS

A parte 1 da Temporada 5 de Lucifer estreou na Netflix nessa sexta-feira (21). A nova temporada conta com apenas 8 episódios é bem rapidinha de assistir.

Se você ainda não assistiu, por favor pare aqui e siga para a crítica SEM spoilers que o Multiverso+ preparou. Mas se você já assistiu e está procurando outra opinião e análise sobre o que assistiu, você está no lugar certo.

Entre a Terra e o Inferno

O final da temporada anterior exigiu a separação de Chloe e Lucifer para garantir que o Inferno voltasse a andar na linha. Então era de se esperar que um tempo passasse e o casal fosse mostrado separado vivendo nas diferentes dimensões.

Lucifer se mostrou previsivelmente entediado e saudosista, até porque para ele se passaram muito anos enquanto que em Los Angeles foram apenas alguns meses. Admito que esperava uma Chloe totalmente consumida pelo trabalho para evitar pensar na distância. Mas daí a estar baladeira e isso inclusive significar ir de ressaca para o trabalho no dia seguinte? Um pouco forçado para fortalecer o laço de amizade com Maze, ainda mais que Chloe é mãe de uma pré-adolescente. Embora quase não apareça mais, Trixie existe e sempre passou muito mais tempo com a durona e certinha mãe do que com o pai.

Maze segue perdida em sua busca por preencher o vazio que sente com a falta de conexão com outros seres. Daniel aparece sendo mais positivo e tentando lidar melhor com a morte de Charlote. O que é importante para o crescimento do personagem, mas ele é apenas um leve alívio cômico na maior parte do tempo, quase um extra. Linda e Amenadiel estão tão consumidos por cobrir as necessidades do pequeno Charlie que são reduzidos. Exaustos genitores que mal têm tempo de viver, mas ainda assim conseguem lançar um conselho aqui ou ali para ajudar os demais a avançarem com suas tramas. E por fim temos a divertida Ella, que ganha mais profundidade ao explorarmos mais de sua vida pessoal pelo âmbito romântico.

Novo Inimigo

Quem traz o Inferno para a Terra, figurativamente, nesta temporada é Michael, irmão gêmeo de Lucifer. Convenhamos, precisava ser um irmão GÊMEO? Sua mentira logo é percebida e em pouco tempo ele ganha uma cicatriz para deixar ainda mais evidente. Não bastava ele andar meio torto, falar com sotaque americano e prestar mais atenção nos outros (para manipula-los) do que focar em si?

A grande motivação de Michael pra fazer tudo que faz é muito simplória, agindo por simples inveja e querendo fazer os amigos e o amor de Lucifer não confiarem nele e se afastarem. É estranho como ele, sendo um anjo, consegue ser tão mal e por um motivo tão mesquinho. Sim, já tivemos outros anjos atuando como vilões, mas em suas motivações eles sempre acreditavam estar trabalhando por um bem maior e encaixa suas narrativas.

Comando do Inferno

Não tem como não comentar essa questão. Lucifer foi obrigado a retornar ao Inferno porque precisava colocar e manter todos os demônios na linha. Até aí tudo bem, já que ele já era o rei dessa área e mais nenhum anjo queria esse papel. Ao saber do que Michael andou aprontando na Terra, Lucifer deixa Amenadiel no comando provisoriamente. O plano era consertar as coisas com Chloe e voltar.

Seria muito interessante ver Lucifer precisando se dividir, indo e voltando por não poder deixar o Inferno sem supervisão ou revezando com Amenadiel. Mas não, Amenadiel fica um pouquinho lá e Deus resolve que tá tudo bem, que não é mais necessário que o Inferno tenha uma babá 24h para garantir seu funcionamento. Essa resolução foi uma bela chance de tornar a história mais complexa sendo jogada fora.

Inclusive, se eu fosse o Michael focaria em aproveitar para tentar tomar o comando do Inferno para ser mais poderoso que o irmão e poder infernizar sua vida ainda mais. Outra chance desperdiçada.

Romance

Chloe e Lucifer são um casal previsível desde a primeira temporada. A construção que é feita para eles se reencontrarem no começo da temporada é ótima. Dá a impressão de que finalmente os fãs vão ficar felizes vendo o casal juntinho e vamos começar a lidar com questões de dinâmica de casal, logo de cara colocando uma lupa em questões bobas e normais. Seria muito fácil se fosse assim, não é mesmo?

Esse casal mal consegue dar um beijo sem que problemas aconteçam. Isso é muito frustrante. Não há paz? A trama traz mais tensão e preocupação com os problemas externos e celestiais do casal do que qualquer migalha de endorfina, porque eles quase não ficam juntos e felizes. E quando poderiam ficar, nossa querida Chloe praticamente sempre coloca o trabalho à frente da relação. Será que eles têm algo em comum para conversar além de assassinatos?

Episódio sobre o anel

Embora pareça totalmente desconexo e avulso do restante da trama, o episódio 4 acaba de fato revelando informações importante para o desenvolvimento do arco de Maze mais para a frente na temporada. Mas ele não se resume a isso.

Ao voltarmos no tempo com Lucifer contando para Trixie algo que aconteceu em 1946, e foi possível brincar com diversidade ao colocar atrizes interpretando personagens que seriam homens na época. A inserção das mulheres foi um pedido de Trixie porque “mulheres também podem ser detetives”. Nisso, os gêneros acabam se misturando com Lúcifer tentando atender o pedido da menina de inserir mais mulheres na história, mas ao mesmo tempo tentar se manter fiel a uma história que já aconteceu em um tempo onde os papéis envolvidos seriam predominantemente masculinos.

Ritmo da temporada

A meu ver, para uma temporada com apenas 8 episódios, a história demorou a engrenar. Porém, a partir do episódio 6 engrena e de forma bem positiva.

A trama não é tediosa até chegar no episódio 6. Pelo contrário, é em verdade interessante. Porém falta um “tempero” já que tudo é muito claro e fácil de resolver até lá.

Para um fã da série, já é de se esperar que certos tipos de piadinhas aconteçam. Normalmente seria de se esperar coisas relacionadas aos anjos e demônios não estarem habituados com os costumes humanos, ainda mais com a titia Maze totalmente deslocada quanto a comportamentos humanos na temporada anterior. Mas sendo a quinta temporada, muita coisa está mudando. Nossos seres fantásticos estão aprendendo cada vez mais e novos tipos de quebra de expectativa são apresentados. Assim, esta nova temporada também traz uns momentos cômicos inesperados bem divertidos.

O cliffhanger

Por fim, o cliffhanger de final da parte 1 da temporada foi totalmente inesperado e gera uma reflexão. Até então, os irmãos celestiais tendiam a se apresentar brancos. A exceção de Amenadiel. Então a mente do espectador branco heteronormativo tende a imaginar que Deus seria branco se um dia aparecesse na série. Inclusive há um episódio em outra temporada em que um homem se diz ser Deus e até faz Lucifer se questionar se é o pai de fato.

Mas a série sempre foi construída de tal forma que parecia que Deus nunca apareceria. Pelo menos os showrunners nunca deram qualquer indício de que ele poderia vir a aparecer, sendo um pai tão ausente nas quatro temporadas anteriores.

Deus é um homem negro. Para mim foi uma total quebra de expectativa e de uma forma boa. Se refletirmos sobre, Ele poderia se apresentar com qualquer cor e forma. Deus poderia se apresentar como o homem branco de longa barba grisalha, mas também negro, asiático, mulher ou totalmente andrógeno. Deus é um ser celestial, não precisa ter um gênero definido, não precisava nem se mostrar com uma forma humana, podendo ser apenas uma voz ou uma bola de energia flutuante.

O que podemos esperar de Lucifer?

A Netflix já confirmou que teremos uma 5ª Temporada parte 2 de Lucifer e em seguida uma 6ª Temporada.

Há planos de abordar ainda na série a violência policial, que se mostrou um tema tão urgente em meio aos protestos em reação ao assassinato de George Floyd, ocorrido em maio deste ano. Os showrunners também pretendem incluir referências a pandemia do COVID-19, mas deixaram claro que não será uma temporada inteira ligada ao tema.

Muitos fãs vão ficar ansiosos aguardando o anúncio da data em que será lançada a próxima parte da série de nosso Diabo preferido .

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