Noturnos: Participamos da coletiva de imprensa

Na terça-feira (20) aconteceu uma coletiva de imprensa de Noturnos, nova série de terror do Canal Brasil inspirada em textos de Vinicius de Moraes.

O projeto possui 6 episódios, cada qual dirigido por diferentes diretores. Cada episódio é baseado em um ou dois textos de Vinicius, mas com uma unidade pela trama se dar a partir de uma companhia de teatro que fica presa no local de trabalho após um ensaio devido à uma grande tempestade. Os atores começam então a trocar histórias de terror para passar o tempo.

Este projeto se enquadra da nova fase do Canal Brasil, com séries originais que estão sendo muito importantes para fazer o canal apresentar conteúdo original e de qualidade. Camila Roque, Gerente de Marketing do Canal Brasil, inclusive comentou que nos últimos dois anos o canal vem quebrando seus próprios recordes de audiência. E o ator Rafael Losso acredita que a série ficou com uma linguagem que parece que era para ser especificamente para o Canal Brasil, que não teria outro lugar possível para esta estreia.

Como surgiu Noturnos?

A ideia para a série Noturnos surgiu de uma conversa de Maria Gurjão de Moraes, filha de Vinicius de Moraes, e Renato Fagundes, um dos criadores do seriado.

Fagundes afirmou que Vinicius de Moraes foi uma de suas grandes inspirações para entrar no universo de escrita. Por isso, após conversar com Maria, ele começou a pesquisar mais sobre os textos de Vinicius e tudo tomou proporções que ele mesmo não esperava, levando a ideia para outro patamar ao montarem a série.

Maria Gurjão de Moraes disse que Noturnos é uma série muito diferente de tudo que já viu e inclusive teve dificuldade de dormir depois de maratonar os seis episódios: “A impressão que me passou é muito boa, o elenco é muito impactante com uma dramaturgia numa linguagem meio nova.”

Marco Dutra, Direção Geral/Criação, afirmou que chegou a ter um pequeno momento de hesitação antes de aceitar participar do projeto, mas foi muito inspirador ler os 7 textos que estavam sendo usados de base. Mas percebeu o carinho de Vinicius pelo gênero de terror e chamou Caetano Gotardo para participar também da Direção Geral/Criação do projeto. Dutra queria dar um caráter mais unitário a antologia e para isso surgiu a ideia de colocar o grupo de teatro preso no local por conta da tempestade contando as histórias de terror.

Caetano Gotardo disse que estamos vivendo tempos difíceis com o isolamento social e encontramos na arte caminhos para expandir sensações e se relacionar com o mundo de uma maneira mais propositiva e isso tem muito a ver com o formato como a série foi desenvolvida e tem íntima relação com a forma como Vinicius de Moraes viveu. Encontramos muitos ecos com o que estamos vivendo agora nesses textos escritos entre as décadas de 30 e 50.

Produzindo os episódios

Cada conto teve um diretor, mas o restante da equipe era o mesmo, fazendo com que tivessem que criar vários mundos em um espaço de tempo limitado. Até mesmo em termos de música, cada episódio tem um universo próprio.

Gotardo disse que acha importante pensar na força da canção como elemento dramatúrgico para a série. Várias das canções presentes em Noturnos foram compostas por Gotardo e Dutra na época de faculdade, pensando em um musical chamado Ana e os Outros. Esse musical nunca aconteceu, mas acabou sendo incorporado a série como o projeto em que a companhia de teatro estava trabalhando.

Impressões dos atores

Andrea Marquee disse que a série já possuía muitas camadas muito bem pensadas e aí surgiu a pandemia. “Pra gente que faz arte, processos como este são muito intensos. Gosto muito da metalinguagem presente nos atores contando as histórias e a pandemia trouxe mais uma camada para essa metalinguagem”.

A série flerta muito com o que tá acontecendo a partir dos nossos medos, do que a gente não conhece, do aprisionamento, do terror que tá fora ou está dentro. É uma tragédia e uma oportunidade muito grande da gente reavaliar esses medos. São tantos que a gente tem e quando a gente tá vulnerável eles afloram e a gente tem que aprender a lidar. É um exercício pra vida aprender a lidar com eles. E se deparar também com a possibilidade da morte e tudo que está dentro da gente”, disse Marjorie Estiano, que atuou em apenas um episódio.

Para Ícaro Silva, o que atrai em histórias de terror e suspense é o contato com o desconhecido. “Eu penso na dilatação do tempo quando penso neles contando essas várias histórias dentro de uma noite. Agora na pandemia parece que estamos vivendo várias noites dentro de uma história e o que nos assusta é exatamente o mistério. Não temos ideia do que vai acontecer. Todas essas histórias, de uma forma ou de outra, nos isolam dentro de nossos sentimentos para entendermos mais de nós mesmos, mas também nos conectam com esses personagens querendo saber o que vai acontecer”, afirma o ator.

Noturnos
Elenco reunido para foto no teatro de Noturnos. (Imagem: Reprodução)

Trabalho em equipe

Andrea Marquee encarou cada episódio, cada nova história como um recomeço, mas ao mesmo tempo via continuidade devido a manter sempre a personagem Joana no teatro, embora sob o olhar do novo diretor. “Audiovisual é um conjunto de tantas informações e nesse trabalho conseguimos reunir a equipe de forma a contar a história de forma una, que é praticamente mágica. Foi um aprendizado intenso e maravilhoso de se ter”, disse a atriz.

Ícaro Silva acredita também que o segredo para o sucesso da montagem dessa série é que todos que trabalharam nela foram amorosos e dedicados.

Noturnos estreia no Canal Brasil nesta quarta-feira (21), às 22h, e fica disponível também nos canais de streaming Globo e Globoplay.

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Clarissa Montalvão

Formada em Comunicação Social pela UFRJ. Pode me chamar de Cla ou Clari. Estou sempre de olho no mundo dos esports para trazer o melhor conteúdo para vocês. E adoro maratonar séries e filmes nas horas vagas! Então podem esperar algumas críticas de produtos audiovisuais bem mainstream por aqui também.