Os Últimos Dias de Gilda: Crítica da série com spoilers

Os Últimos Dias de Gilda é a nova minissérie do Canal Brasil baseada numa obra criada originalmente por Rodrigo de Roure como um monólogo para o teatro.

Na trama, Karine Teles vive Gilda, uma mulher livre, no mais amplo sentido da palavra, e cada capítulo mostra como o comportamento da protagonista incomoda muita gente ao seu redor. A atriz principal da série, Karine Teles, já havia interpretado Gilda no teatro em 2018, reinterpretado por Karine Teles nos tablados e para o criador e diretor da série, Gustavo Pizzi, o roteiro mudou muito.

Ana Carbatti, atriz que interpreta uma amiga de Gilda, afirmou na coletiva de imprensa da série que Os Últimos Dias de Gilda é um projeto necessário nesse momento.

A adaptação foi muito legal. A maneira como o Gustavo e a Karine utilizaram os elementos essenciais do texto da peça e trouxeram para a atualidade. O espetáculo de teatro é um solo, só a Gilda falando, mas é interessante como abriram e trouxeram novas personagens para a trama, algumas até que eram faladas no texto original”, disse Carbatti.

A série mostra o dia a dia de Gilda e os conflitos que seu estilo de vida gera em uma sociedade conservadora que, em teoria a abraça e gosta dela. Gilda precisa ser forte para conviver com preconceitos religiosos

Em meio a narrativa, Gilda mostra como a culinária é importante para ela e ainda dá dicas de receita. Dessa forma, momentos importantes acontecem em volta da mesa de refeições, o coração da casa.

Personagens

A série é pesada e mostra a todo momento como a intolerância mexe com a vida das pessoas. Principalmente do alvo. Entretanto, também revela que podemos escolher se queremos permitir que ela nos abale.

Sobre a questão, Antonio Saboia comenta: “A Gilda é a única pessoa com a qual ele (Wallace) consegue ser vulnerável. Ela consegue desarmar esses caras porque não tem julgamento, não tem pressão. Existe um carinho, amor e leveza muito grande. Os homens não sentem o peso de ter que ser homem perto dela.”

Eu e a Karine trazemos uma leveza, uma possibilidade de realização de sonho, de viver na paz, na alegria, que eu acho que é o retrato de tanta gente que vive no nosso país. Gente que vive na pobreza, em estado de sítio, mas ainda assim conseguem um espaço de respiro. É muito bonito ver a trajetória dessas pessoas tentando lutar contra esse sistema opressor e autoritário, mas mantendo a força, a leveza e a energia”, disse Ana.

A personagem de Julia Stockler, Cacilda, representa o posto da personagem da Ana. Ela é a intolerância. É como se o pilar dessa comunidade viesse nela. Ela olha a Gilda e não consegue abraçar essa mulher, que é pura luz pois enxerga apenas o que acredita ser errado nela. Todavia, é interessante ver o atrito entre elas e como a relação das duas vai sendo modificada. A generosidade da Gilda e a sororidade que surge por enfrentarem um mesmo adversário quando a milícia toda a região pesam bastante.

A gente precisa dar voz ao feminino. Essa força que é tão silenciada, escondida e pouco representada que precisa sair, então pra mim é uma missão. É algo que eu decidi que quero contribuir dentro das minhas limitações para que os femininos venham a luz”, afirma Karine Teles.

Se a gente conseguir contribuir de alguma maneira acrescentar alguma coisa nessa discussão do mundo que a gente tá vivendo hoje, já é uma coisa muito grande. Você pode fazer mal a alguém com seu discurso, você pode matar alguém com seu discurso. A gente precisa tentar se colocar no lugar do outro”, disse o diretor Gustavo Pizzi.

Os Últimos Dias de Gilda possui 4 episódios e a série está sendo exibida às sextas-feiras, às 22h30. Além disso, a minissérie está disponível nos serviços de streaming Canais Globo e Globoplay.

E para ficar por dentro de todas as novidades de jogos, música, filmes e séries, acompanhe o Multiverso+ nas redes sociais: FacebookInstagram e Twitter.

Leia também: 

The Weeknd cobra explicações do Grammy e diz que premiação é corrupta

The World Ends with You tem sequência anunciada

Nova Temporada de Non Non Biyori ganha data de estreia

Comentários

Clarissa Montalvão

Formada em Comunicação Social pela UFRJ. Pode me chamar de Cla ou Clari. Estou sempre de olho no mundo dos esports para trazer o melhor conteúdo para vocês. E adoro maratonar séries e filmes nas horas vagas! Então podem esperar algumas críticas de produtos audiovisuais bem mainstream por aqui também.