Sangue de Zeus: primeira temporada – Crítica

E a Netflix fez mais uma série animada! Desta vez voltada para a mitologia grega, Sangue de Zeus apresenta uma história clássica nos moldes gregos, com muita ação, intriga e tragédia.

Sangue de Zeus… Pelo nome tem haver com algum filho dele?

Sua dedução está correta caro leitor.

Sangue de Zeus conta a história do semi-deus Heron, filho de Zeus com a rainha de Coríntios. Antes que pergunte, não, Heron não vem da mitologia grega clássica, sendo um personagem original da série.

E sobre a questão da série com a Grécia, vale ressaltar que os criadores dela são gregos: a dupla de roteiristas Charley Parlapanides e Vlas Parlapanides, responsáveis pelos roteiros dos filmes Immortals e Death Note da Netflix.

Espera aí. Os roteiristas dessa série são os mesmos de Death Note, aquela bomba?

Calma, calma. De início essa informação pode assustar a maioria, mas acreditem: eles fizeram um ótimo trabalho em Sangue de Zeus.

A história da série é simples e muito inspirada em outros contos dos helenos, mas a forma como contam e desenvolvem a história é muito interessante de acompanhar.

Heron, filho bastardo de Zeus, é odiado pela deusa Hera (deusa dos casamentos e rainha do Olimpo). E é pelo ódio dela que as tragédias e desafios na vida de Heron acontecem, como o ataque de demônios a Polis, onde nosso herói e sua mãe viviam.

Como mencionado antes, uma história simples e muito inspirada em outras histórias gregas. E aí entra a mão dos roteiristas: cada episódio da série tem uma temática própria, que é sutilmente apresentada nas aberturas.

Todos os episódios começam com o título da série SANGUE DE ZEUS, mas em cada um o título é estilizado de maneira diferente, o que serve como uma breve apresentação do ritmo que devemos esperar. E essas sutilezas são muito interessantes para o desenvolver da trama.

Legal, mas e os personagens? Quem acompanhamos nessa série?

Bem, como já foi citado, temos Heron, filho de Zeus e protagonista da série. Ele é um clássico arquétipo do herói grego: passado trágico, vida difícil, mas repleto de virtudes que o fazem se destacar do resto da sua comunidade. E a forma como ele evolui de um simples plebeu para um completo herói é um dos melhores pontos da série.

Além do nosso protagonista, temos a amazona Alexia, que é apresentada como uma caçadora de demônios (e inclusive a abertura de Sangue de Zeus é uma magnífica perseguição dela a dois demônios fugitivos). Alexia é uma personagem muito corajosa, que se importa tanto em cumprir sua missão, quanto em proteger o máximo de pessoas possíveis.

E temos o vilão Seraphim, um personagem trágico que em sua dor se voltou ao uso de poderes sinistros que o levou a ser um inimigo da humanidade e dos deuses olimpianos, e responsável por uma das maiores perdas do nosso herói Heron.

E qual é a da série?

A série em si se desenvolve em torno de vários aspectos dos contos gregos. E a partir daqui vai alguns SPOILERS de Sangue de Zeus:

Heron no começo não é um personagem heróico. Na verdade, tudo que importa para ele é a mãe, que é hostilizada pela população local por ser vista como uma pessoa amaldiçoada (porque para protege-la de Hera, Zeus colocou uma nuvem densa permanente na cidade em que ela vive, o que assustou a população).

Nos 3 primeiros episódios, Heron só age em prol da segurança da mãe ou dele mesmo. A atitude dele só muda quando, num ataque dos demônios que perseguiam Alexia, Hera manipula a situação para que Seraphim encontre a mãe de Heron, o que ocasiona na morte dela e na captura de Heron.

É quando a tragédia, um dos principais elementos das histórias gregas, é introduzida na série que a trama realmente cresce, pois Hera usa desse acontecimento para voltar os deuses olimpianos contra Zeus (por ele tentar salvar Heron) ao mesmo tempo que começa a manipular Seraphim contra o Olimpo.

Todo o crescente que a série toma é em volta da tragédia e da vingança, e são esses dois aspectos que movem praticamente todos os personagens em Sangue de Zeus.

E não apenas a tragédia, mas também temos outros elementos clássicos dos contos helênicos: comédia, intervenção divina (Deus Ex Máquina), reviravoltas, vingança e lições de moral. Sangue de Zeus é uma série recheada de elementos helênicos, o que enriquece bastante a trama que está sendo contada.

E então, como fica a série no fim das contas?

No fim das contas, Sangue de Zeus é uma série muito boa, com um ótimo desenvolvimento na história e com personagens bastante interessantes.

Além disso, é recheada de uma boa dose de ação e com uma técnica de animação muito boa, que já tinha sido usada na excelente Clastevânia.

Nada mais justos que dar uma nota 08/10 na escala de qualidade do Multiverso+ para essa ótima série animada. E que venha mais temporadas de Sangue de Zeus!

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Gustavo Nunes

Um historiador por profissão, que ama cinema e televisão e escreve por diversão.