Sombra e Ossos: Primeira Temporada – Crítica

(Antes de mais nada, é bom ficar avisado que essa crítica conterá spoilers ok? Leia por sua conta e risco!)

Sombra e Ossos é uma das mais novas séries da Netflix a explorar um mundo fantástico adaptado de um série de livros.

A série já conseguiu um número significativo de fãs, que mal lançando a primeira temporada já clamavam por outras, e é dessa primeira temporada que falaremos aqui.

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Assim, tem muita série e filme de fantasia, o que esse tem demais?

Bem, é importante dizer que, apesar da série ter uma “mitologia” boa, ela não é nenhuma inovação.

Em Sombra e Ossos vemos um reino, Ravka, dividido por um evento cataclismico conhecido como A Brecha. Esse evento é uma gigantesca área coberta em sombras e dentro dessas sombras, criaturas muito agressivas atacam qualquer um que chame a atenção, tornando sua travessia uma das atividades mais perigosas a se fazer.

Juntamente com o problema da brecha, o reino de Ravka passa por uma contínua guerra com países fronteiriços ao Norte, Fjerda, e ao Sul, Shu Han, o que faz o país ser extremamente militarizado. E para piorar, a parte Leste de Ravka entra em um processo de separatismo, liderado por militares rebelados.

E é nesse mundo que vemos as tramas de Malyen “Mal” Oretsev (Archie Renaux), um soldado rastreador, e Alina Starkov (Jessie Mei Li), uma cartógrafa militar. Os dois amigos de infância logo no primeiro episódio passam por uma situação de quase morte, que culmina em uma grande revelação.

É assim que a série começa: apresentando um mundo com magia, com conflitos políticos e militares, onde dois amantes passam por tragédias. Nada novo sob o Sol, mas não quer dizer que a história é ruim.

Muito pelo contrário. A narrativa de Sombra e Ossos é cativante e prende a atenção. Informações novas são soltas a cada episódio, o que faz com que a história não perca fôlego, e sempre continue a desenvolver os personagens. Além de inserir discussões interessantes sobre perseguição, preconceito e políticas de ódio.

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Hm… Interessante. E quanto aos personagens? Eles são legais?

Apesar de em um primeiro momento parecer que a história inteira será sobre a Brecha, e como esse fenômeno irá fazer personagens agirem e reagirem a ela, Sombra e Ossos é uma série em que os personagens em si valem mais ser observados do que o mundo ao redor.

É lógico, a trama que envolve a Brecha é a principal, e também é a que liga os mais diversos núcleos da série, porém as histórias pessoais dos personagens e suas motivações são o ponto alto da trama.

Como já apresentado, temos nosso casal de protagonistas Alina e Mal que a motivação deles no início é simples: ficarem juntos. Eles estão juntos desde o orfanato em que cresceram, e como vamos vendo no decorrer da série, em diversos momentos da vida eles burlam as regras para permanecerem juntos.

O grande empecilho para esse objetivo deles é que Alina se revela por ser uma Grisha, pessoa capaz de controlar algum elemento ou substância natural, e os Grishas são obrigados a servir em um exército especial de Ravka por causa de seu talento, e também há a presença de um forte preconceito que muitas pessoas tem deles. E para piorar a situação do casal, Alina é um tipo de Grisha raríssimo: uma Conjuradora do Sol, capaz de manipular, gerar e controlar a luz.

Como o principal problema do reino de Ravka é a Brecha, que nada mais é que sombras concentrada, Alina é vista pelos militares e civis como uma salvadora há muito aguardada. E é com a revelação de Alina como uma Conjuradora do Sol que são inseridos na trama um personagem muito importante, e um novo núcleo da série.

O personagem é o General Kirigan (Ben Barnes), conhecido também como Darkling. Ele é um poderoso Grisha controlador de sombras que comanda todo o Segundo Exército, o exército dos Grishas. Ele é posto na história como um dos, senão o, principal comandante do país de Ravka e, posteriormente vem a criar um vinculo romântico com Alina, quando ela é enviada para ser treinada.

E o núcle inserido é o dos personagens Kaz Brekker (Freddy Carter), um dono de uma casa de apostas na cidade de Katterdam, capital do reino de Kerch; Inej Ghafa (Amita Suman), uma espiã/assassina que tem envolvimento profissional e pessoal com Kaz; e, Jesper Fahey (Kit Young), um exímio pistoleiro e guarda costa de Kaz. Esse trio se envolve na trama principal por uma motivação clichê, mas que nunca fica ruim: dinheiro.

Katterdam é um importante entreposto comercial, e também berço e base de diversas organizações criminosas. E um dos mais ricos comerciantes da cidade, Dreesen (Sean Gilder) decidiu por um prêmio milionário para quem trouxesse para ele a Conjuradora do Sol.

O grupo de sequestro de Kaz, e o triângulo amoroso entre Alina, Mal e Kirigan, são os principais núcleos da série, e é em torno deles que tudo vai evoluindo.

Porém, correndo por fora (quase até como um spin off?) temos o núcleo da Nina Zenik (Danielle Galligan) e Mathias Helvar (Calagan Skogman). Ela é uma Grisha Sangradora, que é capaz de controlar o sangue dela e de outros, e ele é um caçador de Grishas do reino de Fjerda.

Todos esses três núcleos vão evoluindo a sua maneira, e convergindo e divergindo em diferentes momentos, e esses momentos são muito bons, com uma ótima direção, roteiro bem redondo, e uma dose de efeitos especiais bem acima de outras séries da Netflix.

Mas o mais importante é que nenhum dos oito atores fazem uma má atuação. Todos conseguem se encaixar bem em seus papeis, e entregam um bom trabalho, principalmente nas duplas Nina e Mathias, e Alina e Mal. Esses quatro chamam muito a atenção durante a série.

Entretanto nem tudo é uma maravilha…

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Mas até agora você só está tecendo elogios? Pera aí… é o final!?

Sim caro leitor(a), é o final.

A série tem uma apresentação e trama muito boas. Eu diria até bem melhor que em outras séries de mundos fantásticos da Netflix, como The Witcher por exemplo.

Os personagens são interessantes e cativam mais a cada episódio. Principalmente com a evolução que vemos acontecer nos personagens, com exceção de um… o General Kirigan.

Na metade da série, que tem oito episódios apenas, é revelado que Kirigan é o Grisha que criou a Brecha há séculos atrás, e até aí não teria muito problema ele ser revelado o vilão. O problema é que o ator Ben Barnes não manteve a mesma qualidade na atuação como vilão do que como mentor/interesse romântico da protagonista.

Não é que ele faça uma má atuação como vilão, mas a partir do episódio 4 o trabalho dele começa a ficar entre o mediano e bom. Além do que o roteiro não colabora muito também. A forma como Alina descobre estar sendo usada é péssimo, pois não teve mérito nenhum na personagem em descobrir a informação. Foi a sua treinadora, e mãe de Kirigan, Baghra (Zoe Wanamaker) que conta para ela da maneira mais expositiva possível. Simplificando: um dos personagens centrais se revela ser O vilão em uma explicação de cerca de 5 minutos.

Ui …

Calma que piora.

No capítulo 7 somos apresentados ao passado de Kirigan e o que o levou a criar algo tão horrendo como a brecha, o que piora as coisas. Na busca de procurar uma “motivação justificável” para o vilão a série explora muito mal um já clichê de roteiro que é o vilão com traumas. E da forma mais previsível possível, no fim vemos que Kirigan só queria encontrar um meio de controlar os poderes de Alina, pois assim ele teria sob seu poder a capacidade de crescer e diminuir a Brecha, o que poderia tomar o mundo como refém.

O plano é bom, porém a partir da metade da série as motivações do vilão começam a ficar muito previsíveis, e cada vez mais condenáveis. A parte do condenável não seria ruim, se ele não ficasse dizendo o tempo todo que estava fazendo isso pelo bem do povo dele, sendo que a fala, o roteiro e a atuação não colaboram para o espectador comprar a motivação do vilão.

O episódio final de Sombra e Ossos tem até momentos de ação bem legais, mas que se resumem mais a um show de luz e sombras do que algo realmente impressionante.

A importância mesmo do último episódio é a Alina superar a opressão de Kirigan e retomar o controle sobre seus poderes, o trio de Kaz, Inej e Jasper se aliar à Alina e Mal abrindo mão do dinheiro, e por fim o núcleo de Nina e Mathias finalmente se unindo ao núcleo principal.

No fim, a série sofre com um final muito aquém do que estava vindo sendo apresentado. Mas isso é mais em relação ao roteiro em si, e só nos núcleos de Alina, Mal, Kirigan, Kaz, Inej e Jasper; porque o núcleo de Nina e Mathias se separa tanto da trama principal, pois não é afetada pelas ações do vilão, e começa e termina muito bem a série. E também na parte técnica, a sériae mantem um padrão de qualidade bem alto. Fotografia, som, efeitos especiais e práticos, maquiagem, figurino, etc… tudo isso vai muito bem.

O problema em si se concentra no roteiro e no vilão.

E aí? Como fica?

Fica que a série derrapa no final… mas não leva o restante para baixo.

A série tem seus problemas, mas suas qualidades no fim suplantam esses problemas. Os personagens são muito bons, e com um potencial muito grande a ser explorado em futuras temporadas. E por isso, Sombra e Ossos fica com uma nota 7,5/10 na escala Multiverso+ de qualidade. É boa, e tem como superar seus erros com seus acertos.

Enfim, e você? O que achou da série? Escreva nos comentários sua opinião, e para mais notícias e críticas de cinema e séries, siga o Multiverso+ nas redes sociais.

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Um historiador por profissão, que ama cinema e televisão e escreve por diversão.

Gustavo Nunes

Um historiador por profissão, que ama cinema e televisão e escreve por diversão.