Game of Thrones: Crítica do terceiro episódio da oitava temporada. Como ser grandioso sem enxergar nada.

AVISO: SPOILERS DAQUI EM DIANTE, CASO NÃO TENHA ASSISTIDO AINDA, VOLTE MAIS TARDE OU LEIA POR SUA CONTA E RISCO.

Em primeiro lugar, antes de qualquer coisa, temos de deixar claro que sabemos que o orçamento de uma série para televisão, ainda que grandiosa como Game of Thrones, é incomparavelmente menor que a de um filme para o cinema. Logo, os efeitos especiais e a grandiosidade precisam se adequar a esse estilo.

Porém, esse foi o episódio mais caro de toda temporada e que prometia a maior batalha já vista no mundo do entretenimento. Todo o público e fãs esperavam algo que seria, no mínimo, superior à Batalha dos Bastardos, que ocorreu na sexta temporada.

Seria a derradeira batalha pela sobrevivência contra o Night King ( Vladimir ‘Furdo’ Furdick) e os White Walkers que chegaram a Winterfell. Logo no início vemos já a guerra com o exército dos Dothraki sendo a linha de frente, com os Imaculados atrás, além de todo exército que as forças do Norte juntaram.

A chegada da bruxa Melisandre (Carice van Houten) e o Senhor da Luz acaba dando uma chama de esperança a todos, acendendo as armas dos Dothraki. Em seguida, munidos da confiança imposta pelas armas pegando fogo, todos avançam para a escuridão da noite. Porém, aos poucos vemos as espadas se apagarem, uma a uma, até só restar trevas novamente.

O episódio em si a partir deste momento gera uma tensão e terror muito grandes, onde nestes quesitos é alcançado seu maior êxito. Com o exército do norte assustado, logo vemos hordas sem fim de zumbis avançando em alta velocidade. Aqui lembrando filmes já conhecidos, como por exemplo, Guerra Mundial Z.

E nesse ponto tem o primeiro erro de direção do episódio de Game of Thrones: filmar durante a noite já é difícil e complicado, ainda mais em uma cena com tantos figurantes. Com uso de cortes rápidos e cenas curtas, ficava muito difícil ver o que acontecia, já que pessoas morriam o tempo todo e nos deixavam atônitos, sem saber direito quem era quem.

Daenerys (Emilia Clarke) e Jon Snow (Kit Harington) ao verem tudo isso começam a atacar com seus dragões, Drogon e Rhaegal, respectivamente. Aqui as cenas estão boas, com o fogo tomando conta dos caminhantes e ajudando muito o exército humano. Porém pouco depois vem uma escolha que divide opiniões: os diretores colocaram o Night King lançando uma espessa névoa sobre toda área, o que por sua vez aumenta, e muito, o terror que sentimos na cena, dificulta ainda mais o entendimento do que ocorre na tela.

Nesse ponto a batalha se divide com lutas com armas no chão e no ar com dragões, porém pouco se via, os zumbis em maior número, avançavam cada vez mais, causando uma retirada das tropas humanas para dentro dos muros. Na tentativa de acender um cerco ao redor do castelo, o frio acaba quase tornando a tarefa impossível. Porém, mais uma vez, Melisandre mostra a força de seu Deus, ganhando tempo ao acender todo o cerco com fogo.

Nesse momento temos a primeira aparição real do Night King, ao simplesmente ordenar que os mortos avancem ao fogo até formar uma ponte de mortos sobre as chamas. E aqui começam as cenas em que os mortos invadem as muralhas, mais uma vez lembrando o filme de zumbis Guerra Mundial Z. Com vários personagens conhecidos passando por maus bocados. Sam (John Bradley-West), Brienne (Gwendoline Christie), Thormund (Kristofer Hivju), Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), todos ficam sem saber como proceder e entregues.

Nessa cena também temos uma despedida, talvez a mais triste de todo o episodio. Com o gigante zumbi Wun Wun (Ian Whyte) adentrando o castelo causando um grande número de baixas. Acaba cabendo a jovem Lyanna Mormont (Bella Ramsay). uma jovem de mais ou menos 12 anos, porém com a coragem de um exercito avançar com tudo para o inimigo e o derrotar com uma adaga de vidro de dragão, uma das armas para matar os mortos vivos. Uma grande baixa para o norte e uma das mortes mais honradas de todo episodio.

O alvo do Night King é o Corvo de três olhos, Bran Stark (Isaac Hempstead-Wright). Que está sobre a guarda de Theon Greyjoy (Alfie Allen), afastado do combate. Nesse momento teríamos o ápice do episódio e a maior decepção por sua vez também: o combate entre os dragões Drogon e Rhaegal contra o Viserion, o dragão de gelo. Na luta que provavelmente foi o maior custo de todo o episódio ficou difícil entender o que de fato ocorria, não era claro quem estava realmente vencendo até os momentos finais.

Com o Night King e o Jon Snow no chão após o embate com os dragões, Daenerys lança chamas no vilão com o Drogon, porém sem surtir efeito. Logo após Jon Snow corre em direção do inimigo, com sua espada de aço valiriano, o único tipo de arma que poderia matá-lo. Ao ser percebido pelo Rei da Noite, que se vira e revive todos os mortos até então da batalha, para ficar entre ele e o Jon Snow, tendo tempo para seguir seu objetivo.

Após essa batalha temos uma cena muito boa da Arya Stark (Maisie Williams), dentro dos muros fugindo de uma legião de mortos. Já com cortes precisos, a cena angustiante e densa mostra o terror dentro dos corredores longos, porém tortuosos do castelo. Nessa parte a ausência de trilha aumenta ainda mais a tensão. Com um final heroico de Beric (Richard Dormer)que morre para salvar a jovem e o Cão (Rory McCann).

Outro ponto muito positivo acaba sendo a trilha durante todo os 80 minutos do episódio, que é algo sensacional, sem dúvidas.

Por fim, após inúmeras batalhas e lutas, vemos o Night King se aproximando do seu objetivo, o jovem Bran Stark. Theon já sozinho antes de seu último sacrífico, recebe a benção de Bran, o redimindo de seus atos passados.

O provável salvador (da profecia do Azor Ahai, o príncipe prometido), Jon Snow, estava tendo problemas para passar pelo Viserion, já que a outra possível candidata, Daenerys, estava com sérios problemas junto de Sor Jorah (Iain Glen).

Quando tudo parecia perdido vem a surpresa que poucos imaginaram, sendo o momento mais crucial e surpreendente do episódio: Arya Stark surge como o vento por trás do Night King que ainda tem tempo de segura-la pelo pescoço no ar. Porém, em um ágil movimento, ela consegue derrotar o Rei da Noite cravando uma adaga de aço valiriano em seu coração. Com isso, todo seu exército vira pó com sua derrota. Algo já citado pelo Jon Snow que ao derrotar o Night King tudo acabaria.

Vale também citar que apesar de poucos esperarem que a Arya fosse a heroína. Isso foi algo construído em Game of Thrones, desde uma cena antiga em que Melisandre avisou que a ela mataria alguém importante.  Ou até quando o Bran a entrega a adaga. E mesmo nos momentos em que o Beric acaba revivendo inúmeras vezes durante a série apenas para salvá-la na cena da fuga pelos corredores.

Aqui se encerraria a maior batalha da temporada. E possivelmente da série inteira. Além dos efeitos especiais terem dificultado muito o entendimento de boa parte das batalhas, sendo muito escuro e piorando na hora da névoa. Os cortes também acabaram não favorecendo. Mas a maior decepção foram as poucas mortes do elenco principal. Todos os Dothraki morreram, porém nenhum tinha peso como personagem. Dos mais importantes, as baixas foram apenas de Beric, Sor Jorah, Theon Greyjoy, Lyanna Mormont e a Melisandre que morre ao amanhecer após cumprir seus objetivos. Algo relevante, sim, porém ínfimo perante tamanha ameaça.

Em suma, algo que era para ser grandioso, deixou um gosto um pouco decepcionante. Ainda é um bom episódio, com pontos relevantes e positivos, porém fica claro a diferença de orçamento para algo desse porte na tv.

Game of Thrones segue sendo exibido aos domingos às 22hs pelo canal pago HBO e é atualizado semanalmente no streaming HBO Go.

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