Modo Avião: Vale a pena assistir o novo filme de Larissa Manoela?

Filme da Netflix gera debate sobre uso excessivo de tecnologia e suas consequências

O filme Modo Avião estreou há poucos dias diretamente na Netflix e surpreende ao não ser apenas mais uma comédia adolescente com a atriz Larissa Manoela. O filme aborda com leveza sobre o vício em celular, seus perigos e o poder da família no processo de cura. Além disso, dispões de uma personagem feminina forte, essencial em tempos de empoderamento.

Em Modo Avião, Larissa Manoela interpreta a personagem Ana, que é uma influenciadora digital viciada em trabalho. Devido à fama, ela compartilha tudo de sua vida nas redes sociais. Ou melhor, a versão perfeita de tudo. O que torna importante para sua carreira fingir até mesmo que acordou belíssima como personagem de novela, escondendo todo o tempo e trabalho necessário para ficar assim, ou postar uma refeição saudável mesmo sem consumi-la. Para ela, não há limites entre mundo virtual e real.

Celular e acidentes

A maioria dos filmes adolescentes trabalha esta falta de limites, mas mostra apenas o lado bom da tecnologia. O diretor César Rodrigues fez questão de mostrar o lado não glamouroso da vida online, onde suas consequências são muito reais. Logo no começo do filme, Ana sofre um acidente de carro por estar usando o celular enquanto dirige.

Utilizar o celular no volante aumenta em 400% a probabilidade de um acidente e é a terceira maior causa de mortes no trânsito brasileiro. Estes são números expressivos para reflexão, pois um em cada cinco brasileiros dirige e usa o celular ao mesmo tempo.

Após o acidente, Ana precisa realizar uma reabilitação para tratar seu vício no aparelho e redes sociais. A influenciadora é então enviada para a casa do avô, interpretado pelo cantor Erasmo Carlos, onde não há sinal, mas há uma lista de clichês adolescentes. Como é de se esperar, a mudança de ambiente gera estranheza e a personagem precisa se adaptar aos poucos à sua nova realidade e assim vai se redescobrindo ao desacelerar.

Porém a trama não se limita ao lugar-comum. Mostra como não é tão ruim assim viver sem o celular e revela que passar a observar o que está a nossa volta, no mundo real, é mais verdadeiro e produtivo do que o que está na telinha. Afinal, em pouco tempo Ana aprende sobre mecânica, cria um elo forte com o avô que até então nem conhecia, se reconecta às suas raízes, encontra um amor sincero e ainda consegue tempo para criar sua própria coleção de moda.

Bom uso do tempo

E aqui vale um adendo, pois antes de ser forçada a desconectar, Ana tinha todas as oportunidades e apoio dos pais para seguir seu sonho de ser estilista, mas havia optado por não investir nesta aspiração por medo e falta de tempo. Sem gastar horas com redes sociais na casa do avô, a personagem teve muito tempo livre para investir no que realmente importa, inclusive em sua verdadeira paixão profissional.

Como o filme mostra, não basta tempo livre. Em um país com cerca de 20 milhões de procrastinadores e usuários de redes sociais, o filme nos traz mais uma lição poderosa. Desconectando (um pouco) e realmente investindo energia e estudo somos capazes de superar qualquer desafio e alcançar o objetivo que desejarmos. Afinal, somos responsáveis por tudo que fazemos.

O filme entretém e gera reflexão, cumprindo bem seu papel. Ele é voltado principalmente para o público adolescente, mas vale assistir em família para gerar um debate sobre uso excessivo de tecnologia. Afinal, não é todo dia que os pais podem usar um ícone adolescente falar com leveza de um tema sério com seus filhos.

 

Modo Avião

Ano: 2020

País: Brasil

Classificação: 12 anos

Duração: 1h36

Direção: César Rodrigues

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