Crítica: O Gambito da Rainha – Sem spoilers

O Gambito da Rainha (The Queen’s Gambit) é a nova sensação da Netflix, estando no top 10 da plataforma já na semana de estreia e tendo grande sucesso de público e de crítica. A mini série é baseada no livro de mesmo nome escrita por Walter Trevis. Estrelada por Anya Taylor-Joy, conta com sete episódios de aproximadamente uma hora cada.

A nova sensação da Netflix

Na série acompanhamos a história de Elisabeth Harmon (Taylor-Joy), que já na infância descobriu um talento genial para o xadrez. A acompanhamos desde os primeiros passos que aprendeu com o zelador do orfanato onde cresceu, os primeiros campeonatos até o estrelato na área, competindo com os melhores do mundo.

Mais do que “apenas” a história de sucesso profissional no xadrez, acompanhamos também o crescimento pessoal da personagem. Desde pequena há o abuso de drogas e outras substancias como uma constante em sua vida. É importante ressaltar também a luta e como ela se prova ser uma excelente jogadora independente do seu gênero, em um cenário predominantemente masculino. Fato este que a série explora com bastante eficiência, porém não é o ponto central da trama.

Uma aula de roteiro

Todo herói possui algum tipo de habilidade que o faz se sobressair às “pessoas normais”. Homem Aranha e seus poderes aracnídeos, Tony Stark com sua mente brilhante, etc. O que nos faz torcer por esses personagens não são suas habilidades, são suas fraquezas e qualidades além dos poderes: o Homem Aranha sempre coloca as necessidades das outras pessoas em primeiro lugar; Tony Stark já teve sérios problemas com alcoolismo.

Em O Gambito da Rainha, Elisabeth tem problemas com calmantes e bebidas. Problemas estes que ela carrega desde a infância no orfanato, que fazem com que o personagem se torne mais humano e fazendo com que o publico se identifique e torça por estes personagens.

A construção da jornada de Elisabeth como enxadrista (profissional de xadrez) é extremamente bem construída. Ela mostra que para se tornar melhor em qualquer coisa que se faça, mesmo sendo extremamente genial, vai existir alguém tão bom quanto ou até mesmo melhor do que você. Independente do quão genial você seja naquilo, aqui as derrotas são tão importantes quanto as vitórias.

Elisabeth pode ser a melhor da sua escola, da cidade, do estado… até que aparece alguém tão bom quanto ela e, eventualmente, uma pessoa (ou grupo de pessoas) melhores do que ela. Isso faz com que se gere um desafio a ser superado pela personagem, e que da mais motivos ainda pra torcer por ela.

gambito da rainha 2

Tornando xadrez interessante

Toda a produção da série é extremamente bem feita, a ambientação com cenários e figurinos fazem com que a gente se sinta nos anos 60.

Xadrez é um esporte de tabuleiro onde geralmente os jogadores ficam calados durante as partidas. Sendo assim é extremamente difícil fazer com que se torne algo emocionante e interessante em qualquer experiência áudio visual. O diretor utiliza muito bem do roteiro, criando um clima e um peso para cada partida jogada, utilizando muito bem cortes rápidos alternando entre os jogadores e as peças, usando o som das peças batendo no tabuleiro e o relógio usado para marcar o tempo de cada rodada combinado com a trilha sonora.

Isso tudo acompanhado de narradores em grandes partidas e também com os próprios jogadores comentando suas jogadas quando estão jogando “apenas por diversão” cria um clima de imersão e dinamismo na cena.

A trilha sonora é outro componente bastante marcante na séria, marcando muito bem o tom de cada cena e representando o estado de espirito da personagem, seja com um fundo de piano para enfatizar a concentração e a genialidade da personagem, quanto no rock dos anos 60 pra mostrar os delírios e as perturbações de Elisabeth.

Xeque mate

Em O Gambito da Rainha, como toda obra, existem alguns pontos negativos. Achei que os personagens secundários poderiam ter sido mais bem aproveitados. Eles aparecem geralmente em um ou dois episódios, cumprem seu papel no desenvolvimento da protagonista ou da trama, e depois desaparecem; alguns voltando em algumas cenas nos episódios finais. Mesmo cumprindo bem o seu papel, ainda acho que havia espaço para explorar um pouco mais o relacionamento da protagonista com eles e mostrar um pouco do seu desenvolvimento.

O Gambito da Rainha é uma mini série excepcional, com uma excelente atuação da protagonista e um roteiro extremamente bem feito. Mesmo não tendo grandes reviravoltas, mas vale ser assistida por todos. Sinto cheiro de Emmy e outros prêmios no ar…

E para ficar por dentro de todas as novidades de jogos, música, filmes e séries, acompanhe o Multiverso+ nas redes sociais: Facebook, Instagram e Twitter.

Leia também:

Maldição da Mansão Bly: Um drama com toques de terror e não o contrário.

Sangue de Zeus: primeira temporada – Crítica

Bom Dia, Verônica: Crítica da primeira temporada

Comentários

Felipe Marcel

Host do podcast Multiverso + e amante de cinema e qualquer tipo de história bem contada!