Duna, primeira parte – Crítica

Duna, a construtora de uma dinastia

O Planeta é Arrakis, também conhecido como Duna

Lar da especiaria, Mélange

A especiaria movimenta o Imperium

O Imperium controla todo o universo conhecido

Quem controla a especiaria, controla o universo

E é com essa referência cruzada ao CLÁSSICO pai dos RTS Dune II e ao Duna de David Lynch que introduzo você, caro leitor, a nossa crítica sem spoiler da mais nova obra do aclamado diretor Denis Villeneuve e a segunda adaptação cinematográfica de uma das pedras fundamentais da ficção científica espacial: Duna.

WB/Divulgação

Ok, deu para ver que não é algo pequeno. O que é Duna?

Duna, caro leitor, é um dos maiores livros de ficção científica já feitos. Escrito por Frank Herbert em 1965,  é considerado até hoje como um dos mais importantes livros do gênero, por ser o primeiro livro que explora o espaço sideral com um teor político e cultural nunca antes visto.

Esse livro é o primeiro a cunhar conceitos que hoje são amplamente usados em obras de aventuras espaciais, como a ideia de um império galáctico, a ampla diversidade geológica de planetas, as tramas políticas envolvendo mundos, entre tantas outras coisas que se formos listar, vamos ficar aqui eternamente. 

A história do livro aborda um universo que foi amplamente colonizado pela humanidade em um futuro muito distante (aproximadamente 10.000 anos no futuro). Nesse universo tomado pela humanidade, ele é governado por um poderoso império, que comanda a vastidão do universo com o apoio de certos grupos de grande influência:

  • As Casas Maiores, que são compostas pelas principais casas da nobreza do Imperium.
  • As Bene Gesserit, um grupo de mulheres com um poder social, religioso, político e sobrenatural que influenciam discretamente o andamento do Imperium
  • A Guilda de Comércio, responsável pelo trânsito de mercadorias por todo o Impérium

Esses três grupos são a chave para você entender como é o andamento da história de Duna. Mas o que é Duna em si?

Duna é o planeta Arrakis. O único planeta no universo da franquia onde é possível encontrar uma substância que possibilita a viagem interplanetária, pois as inteligências artificiais tem seu uso banido em todo o Imperium por motivos que não são necessários nos aprofundarmos aqui. O importante é você entender que sem especiarias, não tem viagens espaciais. Sem viagens espaciais não tem comércio entre planetas e nem movimentação de tropas. E sem essas duas coisas, não existe Imperium.

No início do livro, o planeta Arrakis está sob o domínio de uma das Casas Maiores, os Harkonenn, a 80 anos. Mas o Imperador decide mudar a posse desse planeta para a casa Atreides, e é nessa transição de poder que toda a trama do livro, e do filme, se desenvolve, seguindo o jovem Paul Atreides, herdeiro da Casa Atreides e um jovem com dons que o ligam com antigas profecias dos habitantes de Arrakis, os Fremen.

O livro foi e é importante até hoje, e fez história até mesmo fora do âmbito literário, como por exemplo, ao ser adaptado para os videogames como o primeiro grande RTS (Real Time Strategy), e praticamente dar luz a esse gênero de jogos.

E, como você já leu, ele já foi adaptado antes para o cinema por David Lynch em 1984, que apesar de na época ter sido um filme razoavelmente elogiado na parte técnica dele, ele não conseguiu ser bem sucedido nas bilheterias, e ficou com uma média de aprovação de crítica e público bem dividida em um contexto mais geral. Esse fracasso em 84 fez com que, por muito tempo, Duna foi visto como um livro impossível de se adaptar, não apenas por sua grandiosidade, mas também por sua complexidade.

WB/Divulgação

Entendi. Mas o Villeneuve conseguiu quebrar esse tabu?

De uma maneira bem direta: sim.

Duna de Denis Villeneuve é um filme espetacular. Tecnicamente não se encontra defeitos nele. O visual dos planetas apresentados é incrível, todo o grupo de CGI, efeitos práticos, sonoros, maquiagem, figurino fizeram um trabalho digno de um Oscar. O filme é um deleite visual, e nada é gratuito. Tudo que o filme está mostrando tem um porque, tem um objetivo para o andamento da trama, e inclusive a edição do filme colabora muito para manter o clima de tensão necessário que a obra pedia.

Agora, sobre os atores não há um que não esteja minimamente ótimo em seus papeis. Com um elenco estelar composto por Timothé Chamalet (Paul) Zendaya (Chani), Oscar Isaac (Duque Leto), Jason Mamoa (Duncan Idaho), Josh Brolin (Gurney), Rebecca Ferguson (Lady Jessica), Javier Bardem (Stilgar), Dave Bautista (Rabban), Stellan Skarsgárd (Barão Harkonenn), e outros excelentíssimos atores que entregam atuações na medida certa, e cada um deles tem o seu momento dentro do filme.

Obviamente, para os fãs mais puristas da obra, certas atuações e escolhas do Villeneuve podem não agradar muito, como a maneira que o Gurney se porta, ou em certos momentos que a Lady Jessica age de uma maneira que se difere do livro, mas nada que comprometa o filme em si. São pequenas coisas que só quem é muito fã de toda a franquia Duna talvez se incomode, mas dentro do filme em si essas pequenas coisas fazem completo sentido.

Mas, especialmente o Timothé Chamalet, o Oscar Isaac, o Jason Mamoa, a Rebecca Ferguson e o Stellan Skarsgárd estão espetaculares. Eles conseguem entregar interpretações incríveis, e que passam exatamente o que os seus personagens são descritos sentindo no livro nos momentos de maior tensão.

Lembrando, que esse filme é só a primeira parte do primeiro livro, de uma série de 6 livros. Ou seja, tem muito material, para muitos filmes por vir, e as continuações dependerão de como o esse primeiro filme for nas bilheterias, o que talvez não seja tão difícil assim de se alcançar, pois na semana de estreia, Duna alcançou a marca de US$ 220 milhões na bilheteria mundial, já conseguindo pelo menos pagar os custo da sua produção.

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Caramba, mas o filme tem algum problema?

Como eu falei, caro leitor(a), no quesito técnico não encontramos problemas. Se for para ressaltar algo que incomode é que o filme é muito denso. É um longa de 2h 35min de duração, em que se você se distrair por um momento, vai ficar completamente perdido.

E algumas explicações importantes não são dadas no filme, como o porque de se usar pilotos para calcular as rotas das naves e não máquinas. No filme, dá a entender que simplesmente é assim que funciona nesse universo, e isso pode deixar alguns espectadores mais leigos um pouco perdidos.

Mas, no geral, é um filme espetacular, e uma das melhores adaptações de livros para a mídia cinematográfica. Ouso dizer que se equipara a qualidade de Senhor dos Anéis, dada as suas devidas proporções. Por isso, nada mais justo do que um raríssimo 10/10 na escala de qualidade do Multiverso+ para Duna de Denis Villeneuve, e que venha logo o próximo filme!

E você? O que achou de se aventurar pelas areias de Duna? Escreva nos comentários a sua opinião, e para mais notícias sobre cinema e séries, siga o Multiverso+ nas redes sociais.

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Um historiador por profissão, que ama cinema e televisão e escreve por diversão.

Gustavo Nunes

Um historiador por profissão, que ama cinema e televisão e escreve por diversão.